O relatório do Instituto do Fomento Empresarial (IFE) apresentado à imprensa na última segunda-feira revelou que o sector bancário angolano é o terceiro da África subsahariana.

O sector financeiro está entre  os segmentos da economia que mais cresce, sendo que o activo dos bancos passou de 3,7 mil milhões de kwanzas, em 2003, para 5.471 em mil milhões de kwanzas em 2011, o que corresponde a uma taxa de crescimento médio anual de 45, 1 por cento.

Este crescimento colocou o sector bancário nacional em terceiro no lugar e maior da África subsahariana, depois da Nigéria e da África do Sul.

De  acordo com o estudo, a rede bancária angolana conta com 23 instituições de crédito, com destaque para o BAI, Besa, BFA, BIC, e BPC.

Durante o exercício 2012, o sector registou uma taxa de bancarização da população na ordem dos 20 por cento e um valor agregado de activo  orçado em 57o mil milhões de kwanzas.

O estudo mostra ainda que o valor agregado dos depósitos de clientes se situou nos 380 mil milhões de kwanzas. Já o valor agregado do crédito concedido aos clientes rondou os 197 mil milhões.

Quanto ao crédito concedido ao sector privado, fixou-se nos 20 por cento em ralação ao PIB.

No entanto, na última década, o sector financeiro beneficiou de uma expansão económica forte, impulsionada pelo sector petrolífero e foi tida como uma das medidas implementadas pelo Executivo para a estabilidade macroeconómica, razão pela qual se assumiu como um dos pilares  da política monetária.

Actualmente, o sector bancário angolano é composto por 23 bancos, dos quais três são detidos pelo Estado. Estas instituições bancárias possuem igualmente actividades no mercado de seguros e de fundo de pensões.

O estudo indica ainda que uma percentagem considerável do sector financeiro está ligada aos grupos bancários portugueses, apresentando um nível de concentração bastante elevado,   casos do Besa, BFA, BIC e BPA que detêm cerca de 75 por cento do volume de depósitos e de créditos concedidos.

Nesta perspectiva, julga-se que a  tendência de crescimento do sector financeiro angolano é  visível também no volume de depósitos captados pelos bancos.

Assim, em 2011, o valor agregado dos depósitos de clientes foi de 380 mil milhões de kwanzas, o que representou um crescimento anual de 39, por cento face a 2010.

Por outro lado, o relatório acrescenta que o crédito concedido a clientes continua a apresentar uma tendência crescente, embora com um ritmo menos expressivo do que nos anos anteriores. Por isso, o seu valor agregado correspondeu a 197 mil milhões de  kwanzas, ou seja, mais 25 por cento do que em 2010.

No que tange ao crédito concedido por sectores de actividade, o estudo aponta que os serviços colectivos, socias e pessoais rondam os 18,2 por cento do crédito concedido em 2012.

Os sectores de comércio a grosso e a retalho registaram uma taxa de crescimento de 16,8 por cento do crédito concedido em 2012 e foram os sectores que mais recorreram ao crédito bancário.

Oportunidades do sector
Dentre as principais oportunidades de negócio apresentados pelo sector bancário, consta o crescimento orgânico deste segmento, através da expansão da rede de agências, a disponibilização de canais de distribuição alternativos, assim como os meios electrónicos.

Consta igualmente no leque das oportunidades, a capitalização do crescimento dos níveis de bancarização da população da classe média.

A estruturação de produtos e serviços bancários com maior complexidade e o retorno associado a esses produtos orientados para os segmentos de mercado expecíficos são uma mais-valia   para os bancos.

Assim,  o estabelecimento de acordos entre entidades públicas e privadas para desenvolvimento de projectos estruturantes para o país tem sido a mola impulsionadora para a elevação dos níveis de bancarização da população no circuito monetário.

A concessão de financiamentos de longo e médio prazos ao sector empresarial para  projectos de desenvolvimento da economia tem sido a estratégia para a redução das importações.

No entanto, a operacionalização da Bolsa de Valores e Derivativo de Angola (BVDA), nos próximos tempos, tem incentivado o desenvolvimento do mercado de capitais no país.

Por isso, uma das apostas das autoridades financeiras do país é a continuação da internacionalização dos bancos angolanos, criando oportunidades de parcerias para a obtenção de meios de financiamento.

O desenvolvimento dos seguros, dos fundos de pensões e imobiliários são indicadores do crescimento do sector bancário a nível da África.