O Banco Mundial, através da Corporação Financeira Internacional (IFC), organismo responsável para promover o desenvolvimento económico dos países por via do sector privado no mundo, tem disponíveis vários produtos e serviços financeiros para apoiar projectos de investimentos em Angola.

Segundo a oficial sénior da IFC em Angola e Moçambique, Kátia Daude, que dissertava no workshop sobre “financiamento ao sector privado” promovido pela Agência Nacional para o Investimento Privado (Anip), o mercado angolano é bastante promissor, em termos de investimentos em infra-estruturas, e o empresariado local pode aproveitar essa oportunidade que há para investir nesse sector.
Para a responsável, o empresariado angolano faz parte do lote de clientes que podem e já beneficiaram de financiamento dos fundos da IFC.

Kátia Daude disse por outro lado que, à semelhança de outros países, os bancos comerciais que operam no mercado angolano podem obter financiamento directo junto do BM para por sua vez concederem empréstimos às entidades empresariais locais.

“Em Angola, muitas instituições privadas ligadas ao sector bancário, mineiro e industrial já beneficiaram de financiamento dos nossos fundos e muitas outras podem fazê-lo desde que nos apresentem projectos de investimento bem estruturados”, sustentou.

Kátia Daude disse ainda que os clientes da IFC são empresas que pertencem aos países membros do grupo Banco Mundial e, por isso, trabalham com instrumentos de dívida de capital e uma série de variantes de acordo com cada projecto de investimento.
No entanto, o Banco de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a IFC estão vocacionados para trabalhar com os governos locais, sendo a IFC o motor de desenvolvimento do sector privado e a maior instituição de crédito no mundo.

Kátia Daude lembrou ainda que no ano passado as quatro instituições do grupo Banco Mundial, nomeadamente, Bird, Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), IFC e Agência Multilateral de Garantias de Investimentos (AMGI) desembolsaram, por conta própria, cerca de 18 mil milhões de dólares (cerca de 1,7 triliões de kwanzas) em financiamentos e nesse momento o seu portfólio está avaliado em cerca de 48 mil milhões (cerca de 4,6 triliões), desenvolvendo actividades em cerca de 113 países.

Por isso, Kátia Daude assegura que as características principais da IFC são que “nós assumimos o risco do mercado sem garantias soberanas”.

Garantias
Gregor Binkert, director das operações para Angola do grupo BM, disse que a instituição que dirige procura nos seus clientes experiência e conhecimentos sólidos em projectos de investimento e do mercado, por isso, têm um portfólio distribuído por sector e regiões e estão bem equilibrados em termos de distribuição.

“Temos áreas de actuação específicas que é eventualmente onde fazemos investimentos directos privados, seja com instrumentos de dívida, seja de capitais, fazemos gestão de risco e alguns financiamentos convencional e, em certos casos, gerimos fundos de doadores e de governos, que queiram usar a plataforma da ICF para maior penetração no mercado e ajudar o desenvolvimento local”, disse Gregor Binkert.

Interrogado sobre o acesso aos fundos da AID, Gregor Binkert disse que os activos desse organismo são para financiar os países com uma renda per capita abaixo de 1.100 dólares e Angola tem uma renda per capita de 5 a 6 mil dólares, por isso já não tem direito ao fundo que é subsidiado pelos doadores.

“Mas, mesmo assim, ter acesso ao fundos Bird tem várias vantagens, pois continuam a ser activos de muito boas condições em relação ao aplicado no mercado internacional, seja através dos doadores bilaterais dos créditos, seja no mercado nacional em que as taxas de juro são acima de sete por cento, ao passo que as do Bird são de menos de 1 por cento”, esclareceu o responsável.

Uma outra vantagem apontada pelo responsável é o facto de o crédito do Bird ter uma duração de mais de 20 anos, “e no mercado não é possível encontrar prazos ou maturidades que chegam a esses períodos para financiamento de infra-estruturas”.

Por seu turno, Emídio Pinheiro, presidente da Comissão Executiva do Banco de Fomento Angola (BFA), mostrou-se bastante satisfeito por ter trabalhado com o grupo, pois o seu banco já beneficiou dos fundos do Bird, por isso pede que a instituição alargue o seu programa de financiamento no país para que as empresas nacionais possam aumentar a sua carteira de investimentos.

O gestor referiu ainda que gostaria de aumentar os seus investimentos com a colaboração do grupo Banco Mundial, pois possuem taxas bastantes atractivas para o mercado e aumentam de certa forma o capital das empresas.

IFC por dentro
A IFC é o organismo responsável para promover o desenvolvimento económico dos países através do sector privado. Os parceiros de negócios investem o capital através de empresas privadas nos países em desenvolvimento. Entre as suas características, há os empréstimos concedidos a longo prazo, bem como prestação de garantias e riscos aos seus clientes e investidores.

O seu capital de acções está avaliado em 2,4 milhões de dólares (cerca de 233,7 milhões de kwanzas).

Os produtos e serviços financeiros são: empréstimos por conta própria e de consórcios; financiamento através de capital próprio; instrumentos de transferências; dívida e fundos de investimento de private equity; finanças estruturadas; serviços de intermediação; instrumentos de gestão de risco; financiamento em moeda local, para municípios e de operações comerciais.