O Banco Nacional de Angola (BNA) baralhou, recentemente, as contas, mas ainda assim mantém a perspectiva de ser mais clara na sua comunicação aos mercados financeiros.
Se em Janeiro, na sua primeira reunião deste ano, naquela que foi a 75ª sessão ordinária do Comité de Política Monetária (CPM), o Banco Nacional de Angola (BNA) publicou a existência de Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de usd 13.299,71 milhões, com uma contracção mensal de 6,64 por cento, em Fevereiro, fez publicar já as Reservas Internacionais Brutas (BIB)
de usd 17.717,51 milhões.
Em Março, o órgão de apoio às decisões do governador do banco central, na sua reunião de Março, anotou que Angola possui Reservas Internacionais Brutas (RIB) de usd 17.482,15 milhões, numa altura em que se estima em 12 mil milhões as Reservas Internacionais Líquidas (RIL).
Em Janeiro, as reservas líquidas eram de 13.299,71 milhões de dólares e a bruta de 17.989,66 milhões.
Salta à vista uma clara mudança de paradigma da gestão de informação para os mercados do banco central, que deixa de publicar as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) e opta pela Reserva Internacional Bruta (RIB).

Mudança de paradigma
As Reservas Internacionais Brutas (RIB) são sinónimo de “Reservas Internacionais” ou ainda activos de reserva. Na sua composição entram, segundo estabelece Decreto Presidencial 253/11 de 26 de Setembro, o ouro em barra ou amoedado, diamante lapidado, os direitos especiais de saque (DES), a posição de reserva no Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como a moeda estrangeira convertível e outros activos denominados em moeda estrangeira que são imediatamente disponíveis para acudir necessidades de financiamento da balança de pagamentos e outras situações já referidas.
Já as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) referem-se às reservas internacionais brutas menos os passivos de contrapartida das reserva, correspondendo estes últimos, também denominados “Obrigações de curto prazo”, às responsabilidades da autoridade monetária para com não residentes cujo prazo é inferior ou igual a um ano. Os passivos de contrapartida das reservas incluem, igualmente, todas as responsabilidades para com as instituições monetárias internacionais, independentemente do seu prazo.
As “Reservas internacionais utilizáveis” entende-se as reservas internacionais líquidas obtidas após dedução dos activos ilíquidos, ou seja, os recursos em moeda estrangeira constituídos de aplicações em acções e títulos de investimento que não são de liquidez imediata.

Mercado aguarda contas
Além dessa mudança no paradigma de publicação das reservas, que retira ao mercado uma apreciação mais robusta sobre as reservas líquidas, que é aquela massa disponível para uso e conversão imediata em caso de necessidades, ao BNA pesa também as expectativas do mercado sobre a retoma da regularidade da prestação de contas anuais.
Em Janeiro, naquele que foram os 100 dias do governo do Presidente João Lourenço, José de Lima Massano lamentou os recuos que a instituição observou, pois que as contas de 2016 não foram apresentadas até ao momento. Conforme disse, o BNA tudo vai fazer para que em breve publique as contas quer de 2016 assim como o de 2017.