A quantidade de moedas ou notas em circulação fora do circuito bancário nacional pode ser reduzida com a prática da utilização frequente dos cartões electrónicos e do sistema de pagamento automático (TPA), situação que confere maior capacidade de fluidez à banca comercial.

Este posicionamento foi, recentemente, defendido pelo gestor da área de créditos do Banco de Poupança e Crédito (BPC) na Huíla, Francisco Catengue, durante a dissertação do tema o “Sistema de pagamento automático, sua importância, vantagens e desvantagens”, que acionteceu no auditório dessa instituição do ensino superior.

“Por via do uso frequente dos cartões multicaixa pelos cidadãos, a moeda é valorizada, equilibra-se a paridade cambial, a capacidade de liquidez dos bancos e empresas é ampliada, e promove-se o crescimento do volume de negócios”, disse.

Para Francisco Catengue, o transporte de volumes de moeda representa muitos riscos, mesmo que tal seja de baixa quantia. Por isso, através das novas tecnologias adaptadas pelo circuito bancário, o cidadão tem à partida mais segurança, comodidade e rentabilidade.

Afirmou também que os TPA, sendo instrumentos de captação e fidelização de clientes, permitem aumentar os níveis de liquidez, volume de negócios e são mais produtivos, tendo em conta a redução das enchentes ou filas, assim como da quantidade de moeda em caixas fortes das instituições bancárias.

Explicou que a aplicação abrangente do sistema de pagamentos favorece um maior controlo da moeda em circulação no mercado pelo banco central e faz com que exista um menor armazenamento de dinheiro, de notas em mau estado de conservação, práticas que reduzem os custos com a emissão de novas notas.

Referindo-se às vantagens principais do uso dos cartões, Francisco Catengue lembrou que  a economia pode registar crescimento em várias vertentes com realce para uma maior valorização da moeda, redução da inflacção, estabilidade económica e arrecadação de mais receitas para o Estado.

“Poderemos alcançar novos patamares quando houver adesão massiva aos instrumentos de pagamentos escriturais, tais como pagamento automático, transferência bancária e serviço de compensação de valor de forma efectiva”, afirma.

Transacções bancárias
Francisco Catengue, que é também estudante do curso de gestão de empresas da Faculdade de Economia do Lubango,  lembra que com os cartões bancários são feitos levantamentos de valores (cash advance), pagamentos diversos de até cinco milhões de kwanzas, transferências interbancárias, carregamento de telemóveis e outras operações simples capazes de evitar deslocações aos balcões institucionais. Para ele, é de todo necessária a extensão de balcões em todos os municípios do país, massificação urgente da comercialização de cartões multicaixa e terminais de pagamentos automáticos.

Francisco Catengue apela às autoridades e ao banco central para estimularem o uso das novas tecnologias de transacções bancárias nos estabelecimentos comerciais, assim como a divulgação dos pagamentos escriturais.

“Urge bancarizar todos os rendimentos e receitas, assim como se deve incentivar a criação de estabelecimentos comerciais de grande dimensão (shopping) e áreas apropriadas para as mamãs zungueiras com a finalidade de fazer-se uma redução gradual do número de mercados livres ou praças”, defende.

O gestor bancários afirma que, com a observância desses procedimentos, novas condições vão ser criadas para o incremento do volume de negócios, acesso facilitado aos produtos bancários, segurança máxima nos pagamentos, além de redução do tempo de contagem de numerário.

Mobilização
Entre os principais dados sobre a utilização do cartão multicaixa, por exemplo, num recente levantamento da agência Marktest há a realçar o facto de quase 20 por cento do total de pagamentos efectuados no mercado serem efectuados por essa via; contra os 10 por cento dos cheques e ainda esmagadores 70 por cento do dinheiro vivo, a promoção dos meios tecnológicos de pagamentos, nesse caso o pagamento electrónico, torna-se decisiva.