O cenário de previsões do crédito mal-parado na banca angolana feito por agências internacionais antecipam aumento significativo dessa natureza de activos, situação também considerada suficiente para que o Executivo, através do Ministério das Finanças, decidisse pela operacionalização de um fundo de recuperação
do crédito, o Recredit.
A Economist Inteligent Unit (EIU), no seu último estudo, disse que dos 18,2 por cento, de 2015, se previa uma subida considerável para 2017 e 2018, atribuindo por isso a notação CC ao risco do sector bancário.
Mais recentemente, na apresentação das contas de 2016 do Banco Internacional de Crédito (BIC), o seu gestor principal disse que 85 por cento do crédito mal-parado, que atingira os 36 mil milhões de kwanzas, possui garantia real e que estas podem ser penhoradas em caso de incapacidade dos devedores em honrarem os seus compromissos em tempo oportuno.
Apesar de constituir preocupação do BIC tem mesmo emitido nota de aviso e convocatória aos devedores para renegociação de dívida. Fernando Teles disse que, apesar do aumento do crédito vencido, a situação está controlada e que o banco dispõe de provisões na ordem de 204 por cento do valor
em cobrança duvidosa.
O crédito mal-parado ou vencido a mais de 90 dias na banca angolana atingiu 355,6 mil milhões de kwanzas (2132 milhões de dólares) em 2015, de acordo com um relatório da consultora Deloitte apresentado em Novembro último, em Luanda.