Tens dólares ou euros na sua conta particular? o Banco Nacional de Angola (BNA) diz: podes ir levantar sem constrangimentos. Os bancos comerciais, ao menos alguns contactados pelo JE, respondem: não é bem assim. Só com comprovativo de viagem ou de benefício a parentes em viagem ou residentes no estrangeiro! A “maka” dos acessos aos cambiais ainda é tema para manga, e enquanto o mercado distrai-se nas regras (in)funcionais, a taxa “flutuante” parece ir para as kinguilas (vendedores informais de moeda) que, esta semana, deram mais um dente (expressão popular para denotar subida de um certo preço ou valor de um dado produto em relação ao último preço constatado) no câmbio paralelo. Agora, para se comprar uma nota de 100 dólares ou igual valor em euros, o interessado tem de desembolsar kz 50 mil (usd) e kz 53 mil (eu), na zona do S.Paulo; 49.500 e 53 mil, no Mártires de Kifangondo. Na Mutamba, o preço está mais alto. A nota de 100 dólares está a ser vendida a 52 mil e o mesmo valor em Euro custa kz 56 mil, sendo estes os locais de maior afluência e referência das trocas informais na cidade de Luanda.

Sobe e desce
Enquanto o BNA manteve as taxas do mês passado, nos bancos comerciais elas subiram ou seja variam entre os kz 380 e os 410 por cada euro vendido aos clientes. Recentemente, o departamento de conduta financeira do BNA fez saber que os clientes impedidos de levantar livremente os dólares ou euros cativos nas suas contas por qualquer banco comercial devem denunciar por carta, e-mail ou telefone. No seu Aviso 3/2018 de Maio, o BNA deliberou que “na impossibilidade de pagamento de numerário na moeda ou forma pretendida pelo cliente, o banco deve oferecer uma solução alternativa, que, dependendo da finalidade da operação, pode ser o levantamento numa moeda estrangeira alternativa livremente convertível, uma transferência bancária ou o carregamento de um cartão pré-pago de aceitação internacional”. Entre as exigências, o BNA faz constar que os bancos devem ter condições de executar os pedidos de movimentação das contas dos seus clientes denominadas em moeda estrangeira observando prazos diferenciados.
Para as “Operações de invisíveis correntes e de capitais” - no momento em que é atribuído o número de licenciamento da operação pelo Banco Nacional de Angola; As “Operações de mercadorias” – imediatamente após a validação dos documentos de importação da mercadoria, prazo que não deve ultrapassar 5 dias úteis contados a partir da data da entrega do conjunto de documentos completos.

Moeda em circulação
Na sua mais recente reunião, o Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM) fez saber que a Base Monetária em Moeda Nacional, variável operacional da política monetária, em Junho expandiu kz 43,48 mil milhões (3,28%) face ao mês de Maio. Tal reflectiu-se no aumento das reservas bancárias em moeda nacional em kz 63,72 mil milhões (7,30%), sendo que as notas e moedas em circulação diminuíram em 20,24 mil milhões (4,46%). Ainda em Junho, no mercado monetário interbancário foi transaccionado o montante de kz 317,03 mil milhões, representando uma diminuição de 118,09 mil milhões (27,14%) face ao período anterior. A LUIBOR na maturidade overnight situou-se em (14,91%), o que representou uma redução face ao nível de Maio (15,74%). O agregado monetário M2 em moeda nacional, que congrega a totalidade dos depósitos bancários em moeda nacional e as notas e moedas em poder do público, registou uma variação positiva de kz 20,83 mil milhões em relação ao nível observado em Maio de 2019, tendo passado de 4,41 biliões para 4,43 biliões em Junho, o que corresponde um aumento de 0,47 por cento. Este aumento reflectiu-se na totalidade dos depósitos que, no período, expandiram em kz 37,94 mil milhões, tendo as notas e moedas em poder do público contraído em 17,12 mil milhões, passando o seu stock para 333,06 mil milhões. Nos últimos 12 meses, o indicador M2 variou negativamente em 0,29 por cento. Sobre o crédito, no mesmo mês de Junho, o stock em moeda nacional registou uma expansão mensal de 0,53 por cento, face ao aumento de 2,48 registado no mês de Maio. Nos últimos 12 meses, este indicador decresceu 2,42 por cento.

Índices de Preços
No mês de Junho de 2019, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) apresentou uma variação mensal de 1,08 por cento, ligeiramente abaixo da registada no mês anterior (1,09%) e uma variação homóloga de 16,94 por cento, de igual modo abaixo da observada no período anterior (17,14%). Por sua vez, a variação mensal do Índice de Preços Grossista (IPG) fixou-se em 1,36 por cento, ficando ligeiramente acima da variação verificada no mês anterior (1,35%). A variação homóloga situou-se em 17,09, mantendo-se ao mesmo nível da variação apresentada no período anterior. Note-se que desde meados de 2018, a variação do IPG dos produtos nacionais tem sido superior a dos produtos importados. Nos meses de Maio e Junho de 2019, o BNA vendeu ao mercado um montante total de usd 1,32 mil milhões através dos bancos comerciais, contra 3,42 mil milhões no mesmo período do ano anterior. Em termos acumulados, em 2019, o BNA vendeu 4,30 mil milhões de dólares contra 6,90 mil milhões do período homólogo, o que representou uma diminuição de 37,65 por cento. Em Maio, a conta de bens registou um saldo superavitário de 1,78 mil milhões, sendo que o valor total das exportações foi de 2,88 mil milhões e das importações de 1,10 mil milhões de dólares, respectivamente. De igual modo, em Junho, a conta de bens apresentou um saldo superavitário de 1,42 mil milhões de dólares. As importações situaram-se em 1,10 mil milhões, o mesmo valor registado no mês anterior, e as exportações em 2,52 mil milhões. Assim, nos dois meses em análise, a conta de bens registou uma redução de 23,64 por cento face aos dois meses anteriores (Março e Abril). As Reservas Internacionais Brutas (RIB) situaram-se em 16,02 mil milhões de dólares, em Junho, contra 17,92 mil milhões do período homólogo de 2018. A mesma representa um grau de cobertura de importação de bens e serviços de 8,78 meses. A taxa BNA foi mantida em 15,50 por cento. O Comité de Política Monetária (CPM) decidiu manter inalterada a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em (0%) e os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional em (17 e 15%) em moeda estrangeira. Estas decisões foram sustentadas pelo facto da inflação homóloga continuar com a sua trajectória decrescente, não obstante a Base Monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária, ter expandido em 3,28
por cento em Junho.