O Banco Nacional de Angola (BNA) fez saber, esta semana, que os bancos Económico (BE) e de Poupança e Crédito (BPC) deverão, até Junho, avaliar as necessidades de capital adicional e assegurar o cumprimento dos limites prudenciais estabelecidos na regulamentação em vigor.
Considerando que o Exercício foi feito com referência a 31 de Dezembro de 2018, o Banco Nacional de Angola instruiu os Bancos a registarem os ajustamentos identificados no AQA nas demonstrações financeiras do exercício financeiro findo a 31 de Dezembro de 2019, tendo em conta a evolução dos seus activos durante o ano em curso.
De modo geral, de acordo com o comunicado que o BNA publica na sua página de internet, os resultados da Avaliação da Qualidade dos Activos (AQA) revelaram que o sistema bancário é globalmente robusto.
“Os impactos do Exercício originavam uma necessidade de recapitalização para um número reduzido de Bancos que fizeram parte do AQA e estão concentradas no BPC e BE, que representavam cerca de 96 por cento do total das necessidades de recapitalização face aos requisitos mínimos regulamentares em vigor, com referência a 31 de Dezembro de 2018”, lê-se.
O estudo do BNA concentrou-se em 13 bancos (os quais representavam 92,8 por cento do total de activos do sector) designadamente Millennium Atlântico (ATL), Angolano de Investimentos (BAI), Caixa Geral Angola (BCGA), de Comércio e Indústria (BCI), de Desenvolvimento de Angola (BDA), Económico (BE), de Fomento Angola (BFA), Internacional de Crédito (BIC), de Negócios Internacional (BNI), de Poupança e Crédito (BPC), Sol (BSol), Finibanco Angola (FNB) e o Keve (BRK).
A acção consta do plano estratégico do Banco Nacional de Angola e visa assegurar a estabilidade, solidez e resiliência do Sistema Bancário Angolano (SBA).
Para garantir a independência do Exercício, nenhum dos Auditores externos seleccionados pelos Bancos para a realização do Exercício correspondia ao Auditor Estatutário de cada um deles.
O âmbito do Exercício foi delimitado pelos requisitos definidos nos Termos de Referência, os quais seguiram o quadro regulamentar definido na Lei n.º 12/2015 – Lei de Bases das Instituições Financeiras, as Normas Internacionais de Contabilidade e Relato Financeiro (IAS/IFRS), com destaque para a IFRS 9 – Instrumentos Financeiros, normativos prudenciais do Banco Nacional de Angola em vigor à data de referência do Exercício e as políticas e procedimentos em vigor nos Bancos.

4,01 biliões de kwanzas cedidos em créditos

O crédito ao sector privado aumentou 4,1 por cento, para 4,01 biliões de kwanzas no IIIº trimestre de 2019.
A informação consta do relatório sobre o “Panorama macroeconómico” do III º trimestre publicado, esta semana, pela área de estudos e pesquisas de mercado do Banco Millennium Atlântico.
Na referida publicação, nota-se que a variação do crédito em termos homólogos fixou-se em 12,1 por cento, o maior registo desde o IVº trimestre de 2018, quando a taxa alcançou 13,6 por cento.
Por outro lado, o crédito ao sector público (excluindo a Administração Central) cresceu 12,2 no trimestre e 6,6 por cento em termos homólogos tendo se fixado em 131.215 milhões.
Quanto aos depósitos, representaram 51 por cento do total do passivo dos bancos no IIIº trimestre. Os mesmos (depósitos) ficaram avaliados em 8.388,0 mil milhões de kwanzas em Setembro de 2019, um aumento homólogo de 14 e de 7 por cento em termos trimestrais.
O nível revela que os depósitos continuam a ser a principal fonte de financiamento das actividades bancárias, sendo que mais de 90 por cento do total são poupanças privadas, enquanto o remanescente representam poupanças públicas. Importa ressaltar que durante o período em análise, os depósitos a prazo representam (52%) do total de depósitos do sistema e o remanescente correspondeu aos depósitos à ordem.
De acordo com o estudo do Atlântico, o nível de dolarização da economia no IIIº trimestre de 2019 fixou-se em 50 por cento, um incremento de 4 p.p. em relação ao mesmo período de 2018 e o maior nível desde o IIº trimestre de 2013, o que poderá reflectir a atractividade dos produtos em moeda estrangeira.