O Banco Nacional de Angola (BNA) e a Unidade de Informação Financeira (UIF) estão alinhados na preparação da avaliação mútua do sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, programa a ser submetida à Angola em 2021.
Na conferência, que decorreu no Museu da Moeda, o BNA e a UIF decidiram debater tal tema na visão de manter em alerta os vários agentes, essencialmente os que lidam com as matérias afins.
A abertura da conferência foi feita pelo vice-governador do BNA, Tiago Dias, que na ocasião disse ser objectivo do encontro sensibilizar previamente todas as instituições que integram o sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e proliferação de armas maciças.
Tiago Dias disse que, face os desafios nos domínios em abordagem, as temáticas escolhidas são transversais às instituições de carácter
financeiro e não só.
Por sua vez, a directora da Unidade de Informação Financeira (UIF), Francisca de Brito, entende que para uma melhor prevenção e combate ao branqueamento de capitais, as medidas a serem adoptadas passam, necessariamente, pelo reforço da comunicação entre as instituições, pela aplicação de recursos em função dos riscos, bem como pela realização de palestras que abordem a temática.

Revisão da Lei
Em relação à revisão da Lei sobre Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo, Francisca de Brito referiu que se aguarda pela aprovação da mesma pela Assembleia Nacional, uma vez ter sido já apreciada
em Conselho de Ministros.
O economista Carlos Rosado de Carvalho considerou importante a revisão da Lei, por entender que tal dará maior robustez ao sistema que visa combater o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo.
Segundo Carlos Rosado, há toda necessidade de um maior escrutínio sobre a origem dos dinheiros depositados por entidades públicas e privadas. “Sabemos que há branqueamento de capitais, mas não há resultados em concreto”, sublinhou.
O economista advoga que a comunidade internacional quer resultados concretos sobre estes males que desequilibram
a economia dos países. Carlos Rosado entende ser esse um passo importante, para que Angola seja aceite na comunidade financeira internacional e para que tenha bancos correspondentes.
Nos diferentes painéis em que se dividiu a conferência, os oradores afectos a organizações públicas e privadas, bem como os convidados internacionais, partilharam experiências nacional e externa.
Das experiências partilhadas, constam as de Atuweni Phiri, desde 2007 directora da Unidade de Informação Financeira (UIF) do Malawi, Leonie Dunn, directora da Central de Inteligência Financeiro da Namíbia e Andrew Nkunika, director do ministério da justiça da Zâmbia.
As diversas entidades apontaram uma lei mais acertiva e um maior comprometimento e cooperação dos organismos envolvidos nesses domínios, como caminho para que se travar tais práticas.