Passados cerca de um ano e quatro meses (473 dias) desde à sua nomeação às funções de governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe da Silva,segue à risca o compromisso de devolver confiança ao sistema financeiro angolano, melhorar a sua transparência e credibilidade interna e externa e tão importante quanto isso assegurar a felicidade das famílias, através de uma banca inclusiva e capaz de captar depósitos e conceder créditos.
Recentemente, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe da Silva, chefiou uma delegação que integrou os administradores António Manuel Ramos da Cruz e Ana Paula do Patrocínio Rodrigues, além de gestores dos Departamentos de Estatística, Controle Cambial e Relações Internacionais, numa visita de cortesia a convite do seu homólogo do Banco da Namíbia, Ipumbu Shiimi.
O governador do BNA foi recebido a título de cortesia, pelo Presidente da República da Namíbia, Hage Geingob.Foram temas da agenda do encontro entre os dois homólogos dos bancos centrais e delegações, a análise do estado económico e financeiro actual dos dois países face aos constrangimentos da economia e do sistema financeiro internacional, bem como a troca de experiência nos domínios da política cambial, monetária e de supervisão. O encontro contribuiu para fortalecer os laços de cooperação existentes entre as duas instituições.
Esta acção dá continuidade aos “road-show” - expressão inglesa que traduz as visitas que Valter Filipe tem se dedicado a efectuar com vista a mostrar aos parceiros em como Angola tudo faz para materializar as regras de Basileia I, II e III, afinando o Compliance e outras directrizes que combatam a circulação de capitais ilícitos na banca.
Está por essa razão garantido o regresso, em breve, dos bancos correspondentes, que trarão também consigo a normalidade da disponibilidade cambial ao sistema bancário e financeiro, acção que vai diminuir a actual pressão ao BNA de ser o único a injectar cambiais à economia para as importações e regularização de compromissos dos agentes económicos com o exterior.

Normas prudenciais

De acordo com intervenção recente do governador Valter Filipe da Silva, a implementação do projecto de adequação do sistema financeiro angolano às normas prudenciais e às boas práticas internacionais constitui um marco fulcral na abordagem dos paradigmas de regulação e supervisão bancária em prol do bom funcionamento do sistema financeiro angolano.
A implementação deste plano conduziu, no âmbito da uniformização das boas práticas de supervisão bancária, ao trabalho conjunto do BNA com entidades congéneres de diversos países, designadamente dos Estados Unidos, da África do Sul, Reino Unido, França, Itália e Portugal. Estes contactos estenderam-se também a entidades como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
Significa isto ainda de acordo com o governador do BNA, que Angola tem vindo a afirmar claramente o seu empenho e trabalho constante em adequar a sua regulação e supervisão às melhores práticas internacionais nesta matéria, para que o sistema bancário angolano possa trabalhar livremente dentro e fora das suas fronteiras.
Valter Filipe enfatizou ainda que para adequar o sistema financeiro angolano às boas práticas internacionais e podermos trabalhar em prol das melhores e mais eficazes políticas contra o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo, foram aprovados e publicados pelo BNA, em 2016, 48 normativos que regulam as matérias sobre fundos próprios regulamentares, a adopção plena das normas internacionais de contabilidade e de relato financeiro, governação de risco, conceptualização do crédito, testes de esforço e normas de conduta, entre outros. Já ao nível das normas de conduta, o governador disse ser fundamental que não se esqueça o novo pacote sobre a supervisão comportamental, que visa reforçar a solidez e os mecanismos que defendem os interesses dos consumidores de produtos e serviços financeiros.

Evolução do sistema

Nos dados que disponibilizou, Valter Filipe disse que o sistema financeiro angolano conta actualmente com 30 instituições bancárias autorizadas e 29 em funcionamento. A taxa de bancarização em Dezembro de 2016, era de 59 por cento, sendo que o sistema bancário no seu conjunto totalizava um valor superior a 6 milhões de clientes.
Em Dezembro de 2016, o mesmo sistema bancário apresentava um volume de negócios superior a 10 mil milhões de dólares; o crédito total à economia correspondia a 3 mil milhões de dólares e o crédito vencido sobre o crédito total representava cerca de 25.37 por cento.
Em termos de adequação do capital, o sistema financeiro apresentava um rácio de solvabilidade regulamentar cerca de 19 por cento.

Abril de 2017

No mês de Abril deste ano, o crédito à economia aumentou em 0,28 por cento. O crédito bruto ao governo central (titulado e não titulado) aumentou em 2,54 por cento e os depósitos do governo no sistema bancário diminuíram em 5,99 por cento. Já os meios de pagamento representados pelo agregado M2 aumentaram em 0,54 por cento, mas diminuíram em 0,99 nos últimos 12 meses
A Base Monetária Restrita em moeda nacional expandiu 1,96 por cento em termos mensais e nos últimos 12 meses registou uma contracção de 19,21.
Para o mês de Maio, os dados do mercado divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), atestam que o crédito à economia aumentou em 0,01 por cento. O crédito bruto ao governo central (titulado e não titulado) diminuiu em 0,58. Os depósitos do governo no sistema bancário diminuíram em 5,71 por cento e os meios de pagamento representados pelo agregado M2 diminuíram em 0,03 por cento, mas diminuíram em 3,47 nos últimos 12 meses. A Base Monetária Restrita, em moeda nacional, expandiu 3,26 por cento em termos mensais e nos últimos 12 meses registou uma contracção de 18,93.
No mercado cambial primário, isto em Maio, a taxa de câmbio média do kwanza face ao dólar norte-americano situou-se em 165,92 kwanzas, mantendo-se inalterada, comparativamente ao mês de Abril.