A média de idade do trabalhador bancário angolano é, neste momento, de 36 anos, uma premissa que põe dois importantes desafios aos gestores deste segmento das finanças.
Por um lado está o potencial de crescimento e longevidade, mas por outro surge o factor confiança, que vezes sem conta é associado à idade e experiência dos envolvidos.

De acordo com dados avançados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), ontem, durante a Conferência “O capital humano no sector financeiro angolano - desafios e perspectivas”, do total de 28 mil trabalhadores afectos ao sector financeiro angolano, 70 por cento, ou seja, 19.600 quadros estão afectos aos serviços bancários. Destes, apenas 30 por cento (8.400) têm nível superior no ensino, o que ainda não tem sido factor de atraso na rápida evolução que o sector demonstra nos últimos três anos.
A título de referência, em 2016, verificou-se uma ligeira diminuição de 0,3 por cento (de 21.648 colaboradores em 2015 para 21.580 colaboradores em 2016) afectos ao sector bancário. Em contrapartida, o número de balcões registou um crescimento de 5 por cento (de 1.865 balcões em 2015 para 1.966 em 2016). Em 2018 já houve esse crescimento vertiginoso de mais de seis mil colaboradores fruto também da entrada de novos “players”.
Para o governador do BNA, José de Lima Massano, a realidade sobre a formação na banca é tida por “crítica”, pelo que convidou as instituições bancárias a motivarem os seus colaboradores à mudança deste paradigma e ser-se capaz de levar o “barco para frente”.
De acordo com José de Lima Massano, isso coloca a banca perante um desafio acrescido, uma vez que está-se num processo de transformação do sistema financeiro nacional, com novas tecnologias e métodos operacionais.
“Obviamente que tudo acaba por tornar o nosso percurso mais desafiante”, disse.
A formação profissional é um dos principais desafios da Associação Angolana de Bancos (ABANC), que anunciou no ano passado, durante a apresentação do relatório anual “Banca em Análise” da Deloitte, a intenção de continuar a “dar especial enfoque ao relacionamento com a Associação de Bancos Comerciais da SADC, procurando incentivar acções”, sobretudo de capacitação, “com vista a proporcionar um melhor conhecimento por parte dos bancos angolanos em relação àquilo que constitui a realidade do sistema bancário implementado na região”.
Com seis anos de existência, a Academia BAI registou um crescimento de 614 para 6.067 no número de formandos que passaram pela instituição entre 2013 e 2018. Em termos globais, o somatório de pessoas que beneficiaram de alguma formação é de 14.518.
De acordo com um levantamento a que este jornal teve acesso, sem contar com os trabalhadores do BAI, os números em causa colocam o banco no topo do ranking das instituições privadas do segmento da banca que mais se preocupam com a elevação da capacitação técnica do capital humano do sector.
O sector bancário em Angola conta com pelo menos 873 profissionais especializados na Academia do Banco Angolano de Investimentos (BAI), em Luanda, entre 2013 e 2018. A instituição nasceu da ideia de uma universidade corporativa com o objectivo primordial de capacitar os trabalhadores com formação de excelência no sector.