O Programa de Privatizações (Propriv) deve jogar um papel decisivo na dinamização do mercado de acções, para que este represente, de facto, o tecido empresarial nacional, apelou ontem, em Luanda, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa.
Ao discursar no lançamento do primeiro relatório anual dos mercados da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva), Vera Daves de Sousa agradeceu o Banco Nacional de Angola (BNA), pela abertura parcial da bolsa de capitais, que passa a ser um ponto forte para a dinamização do mercado angolano de capitais. “Temos certeza que as poupanças internas são limitadas, mas precisávamos dessa abertura e agradecemos”, disse.
Vera Daves sublinhou que o desenvolvimento dos mercados Bodiva deu prioridade, em Dezembro de 2014, à negociação de Títulos do Tesouro, com o lançamento do Mercado de Registo de Títulos do Tesouro, bem como com a inauguração do Mercado de Bolsa de Títulos do Tesouro e da Central de Valores Mobiliários, em Novembro de 2016, e ainda do Mercado de Bolsa de Obrigações Privadas, em finais de 2018.
A ministra indicou que a “opção de iniciar a actividade dos mercados regulamentados pelo mercado de dívida pública justificou-se pela necessidade de, por um lado, projectar a curva de rendimentos para os demais segmentos e, por outro lado, disponibilizar aos investidores em Títulos do Tesouro um mecanismo eficiente e transparente para a sua negociação”.
Conforme destacou, a experiência acumulada na negociação de dívida pública titularizada foi capaz de conferir liquidez e profundidade ao mercado, o que, conjugado com a estabilização das taxas de juro do mercado primário, contribuiu para a criação das condições necessárias para o arranque do segmento de dívida corporativa e a criação de condições para o efectivo arranque do segmento accionista.
Olhando para o Propriv, Vera Daves de Sousa dá conta que, dos mais de 190 activos detidos pelo Estado, o Executivo seleccionou dezassete, que pela sua relevância deverão ser alienados através da bolsa de valores. Estes activos do Estado abarcam sectores relevantes, como o bancário, de seguros, das telecomunicações e petrolífero.
De acordo com a ministra, esta iniciativa deverá ser um impulso, para que se projecte, para lá do serviço ao Estado, o serviço que a Bodiva pode e deve prestar à economia nacional. “Sublinho, essa é a nossa visão para a Bodiva: que se converta numa verdadeira plataforma de financiamento à nossa economia, particularmente ao sector privado, viabilizando, assim, negócios e projectos com elevado impacto económico e social.”
Para esse fim, Vera Daves atribui importância particular à materialização do programa de preparação das empresas “Investor Readiness Program”, que a Bodiva vai empreender, com o apoio e experiência da London Stock Exchange, fruto de um acordo rubricado em Janeiro último, do qual se vai tirar o maior proveito. “Esse programa deve contribuir para que as nossas empresas estejam prontas para cumprir os requisitos de investimento exigidos pelos investidores das praças internacionais”, concluiu.