O esquema de cobranças ilegais para o carregamento de cartões visa e transferência de valores ao exterior denunciado por clientes do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e que está a ser investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR) consta das matérias de destaque que em breve deverão ter despacho de pronúncia.
A Procuradora Geral adjunta da República, Inocência Pinto, garantiu ao JE, que o seu pelouro está empenhado na investigação de crimes económicos já indiciados de modo a disciplinar o açambarcamento do erário público, peculato, assim como a utilização indevida dos bens do Estado.
Conforme é de domínio público, o inquérito ao BPC está sob responsabilidade da Direcção Nacional de Prevenção e Combate à Corrupção e tem a finalidade de apurar a veracidade dos factos contidos na denúncia, feita através das redes sociais.
De acordo com a procuradora, para este tipo de situações, normalmente, a Unidade de Informação Financeira (UIF) identifica os indícios de branqueamento de capitais e reporta à PGR que abre automaticamente o inquérito destinado a averiguar a veracidade dos factos.
Segundo explicou Inocência Pinto, a Unidade de Informação Financeira está orientada a informar às autoridades, todas as eventuais suspeitas de branqueamento de capitais, registados nos diferentes sectores da economia nacional. Neste momento, segundo disse, decorre a recolha de informações que vão ser encaminhadas para a unidade de instrução processual de modo a seguir os trâmites legais até ao desfecho do processo.
Sem avançar dados a responsável assegurou, que os crimes mais frequentes e sob os auspícios da PGR estão ligados sobretudo à banca, petróleo e serviços.
Quanto aos crimes denunciados nas redes sociais, Inocência Pinto explicou que sempre que se verificam, entram automaticamente para o ciclo de inquéritos de modo a apurar os elementos de prova para que se responsabilizem os infractores.
Além do conhecido caso BPC, a procuradoria investiga também outro mediático processo que envolve a petrolífera Sonangol, após querela pública entre a gestão cessante e a actual.