A estratégia de adopção de políticas concretas pelo Executivo, ao longo destes anos tem sido dificultada em grande medida pela inexistência de um censo actualizado, que permitiria definir com clareza o número geral da população.

O último levantamento data de 1970, o que por si só justifica a necessidade deste novo levantamento, iniciado nesta quinta-
-feira (16) em algumas províncias do país, que deverão servir de base para o recenseamento geral que tem início fixado para o ano de 2014.

De acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), encarregue desta árdua tarefa, para a concretização deste desafio (recenseamento geral da população e habitação), será necessário um desembolso financeiro avaliado em cerca de sete  mil milhões de kwanzas.

Esta cifra fora avançada, em Luanda, pelo director nacional do INE e coordenador geral do Gabinete Central do Censo, Camilo Ceita, que apontou a cifra entre os 600 e 700 milhões de kwanzas, como ideal para cobrir os custos da realização do recenseamento geral, conforme citado pela Angop.

Camilo Ceita referiu ainda que o INE ainda não tem o orçamento para 2014, mas apontou a cifra entre os seis e sete mil milhões de kwanzas como a ideal para a realização do recenseamento geral, em Maio de 2014, devido ao custo da empreitada.

Conforme defendeu, nesta altura, os valores de seis a sete mil milhões de kwanzas, para se realizar o censo geral não podem alarmar ninguém, tendo em conta a magnitude do processo.

“Vamos fazer um pequeno exercício, para se ter consciência, de facto, do que estamos a falar em termos de números. Se nós tivermos cerca de 60 mil pessoas, entre recenseadores, supervisores, formadores iniciais e grupos técnicos, cada um com ordenados diferenciados a partir dos 50 mil kwanzas, existindo 50 mil recenseadores com salários de 50 mil kwanzas e os outros mil técnicos a ganharem mais de 100 mil kwanzas, além dos custos com contratos, logística, publicidade e aquisição de bens, entre outros, podemos chegar na cifra de seis a sete biliões de kwanzas”, justificou.

“Em 2012, disse, o INE teve um orçamento, incluindo já as despesas com o pessoal, contratos, aquisições de bens e serviços, de cerca de 4,8 mil milhões de kwanzas. Este ano, o montante do instituto é de cerca de cinco mil milhões de kwanzas”.

Dada a importãncia do censo, o INE conta com a parceria dos institutos nacionais de estatistíca de Moçambique, Cabo Verde, Brasil e com o Fundo das Nações Unidas para a População (PNUD), mas estes participam apenas a nível da assistência técnica.

Quanto às despesas para a realização do recenseamento geral, Camilo Ceitas fez vincar a posição de serem estas cobertas na totalidade pelo Governo angolano, constituindo-se num caso raro no continente. Defendeu, por outro lado, que este esforço do Executivo não pode ser encarado como uma despesa, mas um investimento que vai beneficiar o país com informações e dados úteis e credíveis.