Quem te viu e quem te vê. Esta frase é popular e já foi usada no cancioneiro popular angolano, na bela composição do músico Mito Gaspar sobre Angola e os feitos que granjeou com a independência e, mais recentemente, a paz. A propósito já lá vão 40 anos de independência desde que Angola, em 11 de Novembro de 1975, se desprendeu do jugo colonial.


À Sul de Luanda, o cenário é novo e a paisagem bem muito mais agradável. Da baixa da cidade fica a história de um verdadeiro centro administrativo, mas a desconcentração que vem sendo implementada pelas autoridades governativas está de facto a resultar.

O Lar do Patriota, um imponente projecto habitacional de iniciativa privada, que ocupa cerca de 900 hectares e com mais de seis mil sócios, pode ser tomado como referência dessa amostra de crescimento que se vive em vários domínios económico e social. Zonas de serviços, lazer e formação académica e profissional combinam para a vida nova que já é possível desfrutar localmente.

Quem passa pelo “O Lar do Patriota”, à Sul de Luanda, não fica indiferente do enorme movimento de máquinas. Edifícios imponentes, com lojas, restaurantes, salões de festas e bancos surgem à vista de todos. No meio disso tudo, está mesmo em desenvolvimento o projecto “Centro Financeiro do Patriota”, com o qual se pretende levar os serviços de proximidade aos residentes e outros que por aí passam.

Na área do projecto está prevista igualmente a construção de edifícios com 10 a 25 andares e apartamentos do tipo T1, T2 e T3, com um, dois e três quartos, respectivamente.

A visão do público
A gestora de empresas Jusideneide Santos conta que, no início dos anos 2000, altura em que começaram as primeiras inscrições, investir 55 mil dólares (preço que se cobrava por uma residência familiar) não era acessível para todos. A acrescer aos altos preços, a falta de serviços e os maus acessos até ao projecto não eram bons cartões de visita para ninguém. Apesar de todo o cenário de evolução, ela fala na necessidade actuais de mais estradas e segurança pública.

“Foi com a abertura da via expresso e a posterior de outras vias secundárias e terciárias, que se começou a despertar um elevado interesse ao projecto habitacional. As estradas vieram dar um maior impulso à procura, seguramente”, disse.

Quem está no “O Lar do Patriota” há pouco menos de um ano é a bancária Noémia Calatre. Para ela, a fixação de instituições bancárias não só aproximou os clientes como também permitiu aumentar a qualidade de vida das pessoas.

“Hoje, não precisamos acordar muito cedo para ir ao encontro de um banco”, justifica.

Noémia Calatre disse ainda que com a chegada dos bancos e de outros serviços faz-se de todo importante também o surgimento de outros como é o caso da energia eléctrica da rede pública, ainda em falta, a asfaltagem das ruas e ronda policial mais activa para travar os assaltos que se verificam no local.

Esta opinião, de aparente insegurança, é também partilhada pelo agente de protecção física, Victor Jackson, de 54 anos. Trabalha há mais de três anos numa creche e assegura que dias melhores se vivem hoje. Já nem há mais memória para os sifrimentos de quem tinha de ir ao patriota à pé, de boleia ou sabe-se lá como.

Por sua vez, o técnico de jardinagem, Bernardo Francisco, 36 anos, disse à reportagem do JE que os serviços no Patriota mudaram a vida de muitos. Uns com novos empregos, outros porque deixaram de ir à cidade para beneficiar de serviços, sobretudo bancários.

Os serviços
No Patriota, estão implantados 14 bancos, num total de 16 balcões e 27 caixas automáticas, vulgo multicaixas. Nos próximos dias devem abrir dois novos balcões, sendo dos bancos BNI e Finibanco, respectivamente. Os operadores BIC e BFA estão no espaço com duas agências cada e juntam-se ao Keve, BAI, Millennium, Atlântico, Standard Bank, Económico, Caixa Geral Totta, BCI, BPC e BANC.

Nesta reportagem não foi possível o contacto com a administração do projecto, o que ficou prometido para uma outra altura.