O Governo de Angola, através do Ministério do Interior, realiza em parceria com a Associação dos Profissionais de Compliance “World Compliance - Capítulo Angola”, no mês de Outubro, a 1ª Conferência Nacional sobre “Fraudes e Delitos Económicos - da Prevenção à Investigação”.
O evento reúne em dois dias cerca de 500 participantes, no Instituo Superior de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra Van-Dúnem” e visa mobilizar empresários, investidores e outros “players” do mercado sobre a transparência no quadro dos desafios que o Executivo empreende em alinhamento ao cenário internacional de prevenção ao branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo.
Segundo soube o JE, especialistas de Angola, Portugal, Espanha e Brasil das áreas económico-jurídicas, policiais e criminais vão dissertar sobre o quadro legislativo angolano e as experiências internacionais no que diz respeito às fraudes e aos delitos contra a economia.

Cenário de desafios
O mercado financeiro angolano cresceu muito nos últimos tempos. O número de angolanos com conta bancária e acesso aos serviços dos bancos aumentou exponencialmente. Trata-se de um fenómeno normal, se atender-se ao facto de o país ter conhecido uma mudança significativa no que a relação entre os bancos, as famílias e as empresas diz respeito.
As opiniões nesse sentido converrgem na ideia segundo a qual, as políticas de natureza monetária e cambial efectuadas pelo banco central e pelos bancos comerciais tornaram a actividade bancária e financeira mais robusta. Deste ponto de partida, nesta fase inicial do percurso de Angola assume-se que a banca e os mercados financeiros vão, certamente, jogar um papel crucial no financiamento do desenvolvimento. O desafio é o de que a prevenção de práticas ilícitas terá de acompanhar o crescimento da banca e das ofertas de produtos financeiros noutros intervenientes dos mercados.

Burla à sexta-feira
A sofisticação do crime organizado em Angola, ainda que em escala de baixa ou média dimensão, é visível.
Nas estatísticas, a Polícia Nacional conferiu um novo tipo-crime: chamam-no de “Burla à sexta-feira”, praticado por redes de criminosos que têm o último dia normal de trabalho (sexta-feira) como o preferencial para defraudar bancos e clientes.
Os protagonistas destes actos, numa primeira fase, procedem à abertura de uma conta bancária em bancos comerciais, com o propósito de obter os cheques.
Uma vez em posse destes cheques, normalmente, aparecem bem trajados, com uma linguagem cuidada e de bom trato e a bordo de carros de luxo. Deslocam-se a qualquer estabelecimento comercial, com realce para os de venda de viaturas, materiais de construção civil, bens alimentares, alegando serem proprietários de determinadas obras, fora da cidade de Luanda, que em boa maioria tem sido o palco preferencial das acções destes marginais. Com os contactos conseguidos, solicitam ao estabelecimento comercial uma factura proforma, manifestando o seu interesse na obtenção de mercadorias.
Já em posse da factura, utilizam a caderneta de cheques preenchendo-o, fazendo parecer que pretende efectuar o pagamento por esta via. “Esta perspectiva de pagamento em cheques só é efectuada às sexta-feiras e, normalmente, em horários em que as instituições bancárias estão prestes a encerrar”.
Feito o depósito do cheque, os meliantes utilizam um terceiro elemento que lhes entrega o talão de depósito, no estabelecimento comercial, confirmando terem feito o pagamento da mercadoria e exigindo o levantamento da mesma.