O indicador de clima económico do país deteriorou-se nos últimos dois trimestres e mantém-se em terreno negativo ao atingir menos 16 pontos no terceiro trimestre de 2018, após ter registado uma subida durante o ano de 2017 e início de 2018.
Segundo o relatório sobre a conjuntura económica, publicado esta semana pelo BAI, este valor compara com os 15 pontos negativos registados no último trimestre de 2017.
Os dados revelam que a conjuntura económica do país permaneceu desfavorável para a maioria dos sectores de actividade.
Por exemplo, a indústria transformadora e o sector da comunicação foram os que mais caíram, notando-se melhorias nos índices dos sectores dos transportes, construção e comércio, não obstante estes terem continuado em terreno negativo.
Entre os factores que impediram o desenvolvimento das actividades, segundo o documento, estão as limitações de aquisição de matéria-prima e equipamentos, assim como as dificuldades de acesso ao crédito bancário e
energia eléctrica.
O excesso de interferências e regulamentações estatais, a escassez de recursos humanos especializados, a redução da procura e o elevado absentismo do pessoal ao serviço e a ruptura de stocks, são dentre outros constrangimentos.
O relatório Doing Business, publicado em Outubro último pelo Banco Mundial, indicou uma melhoria na classificação de Angola, ao passar da posição 175ª para o 173º lugar.
A instituição menciona que esta evolução deveu-se, essencialmente, às melhorias verificadas no acesso à electricidade e em questões relacionadas com o comércio internacional.
No que toca ao acesso à electricidade, o relatório fez referência à informação tarifária mais transparente e à diminuição da frequência e duração das perdas de energia.
Quanto ao comércio internacional, o Banco Mundial destacou a implementação do sistema informático que automatiza todos os processos e procedimentos da actividade aduaneira, o Asycuda World.
Esta ferramenta, o Banco Mundial, facilitou todo o processo subjacente ao comércio, entre as diferentes partes envolvidas, permitindo uma redução de custos e processos burocráticos.
No entanto, apesar de o país se encontrar melhor posicionado que a média da África Subsariana em alguns indicadores, ainda está longe das melhores práticas internacionais.
A carga tributária, o excesso de burocracia, são tidos como pesos para o avanço da economia e captação de investimentos estrangeiros.