As principais empresas do sector da construção civil que operam no país estiveram na feira Constrói Angola e apresentaram os seus planos de mercado

Numa altura em que o Governo angolano está empenhado na construção e reconstrução de várias infra-estruturas, terminou a oitava edição da Constrói Angola-2010, que contou com a participação de cerca de 315 empresas, representando 70 por cento nacionais e 30 internacionais.

Decorrido de 14 a 17 de Outubro, o certame ocupou um espaço de três pavilhões com uma área total de cerca de 12. 000 metros quadrados.

As empresas nacionais ocupam stands com maior dimensão, onde estavam também enquadradas as construtoras, promotoras imobiliárias, fornecedoras de equipamentos e representantes de materiais de construção, enquanto as internacionais ocupavam stands mais básicos e com áreas que rondavam normalmente dos 9 a 35 metros quadrados. Portugal lidera a lista da participação estrangeira, seguido pelo Brasil, enquanto os países estreantes foram o Egipto e Emirados Unidos. A maior parte dos expositores foram empresas fornecedoras de equipamentos, material de construção, revestimento, pavimentos e cerâmica.

Novo porto

Saltou à vista o projecto apresentado pela empresa Solitécnica-Angola que se encarregará da construção de um novo porto na localidade do Dande, na província do Bengo.

As obras arrancam já no próximo ano e terão uma duração de cinco anos, segundo o gerente comercial, André Fanaya. A infra-estrutura ocupará 570 hectares e poderão atracar 48 navios em simultâneo.

O porto terá ainda 22 quilómetros de cais, uma profundidade de 15 metros e uma área envolvida de dois milhões de metros quadrados, proporcionando emprego a mais de duas mil pessoas.

Mota-Engil

A empresa portuguesa Mota-Engil vai direccionar a sua actuação no negócio imobiliário em quatro mega-projectos em Luanda, Benguela e Huambo, após ter inaugurado recentemente a mais moderna fábrica de tijolos Novicer, num investimento que rondou os 36 milhões de dólares norte-americanos. O projecto gerou 100 novos empregos.

Soares da Costa

Dados disponíveis apontam que a Soares da Costa planeou um investimento de três mil milhões de euros até 2012, numa perspectiva de alargar o actividade fora da capital no segmento das infra-estruturas.

A construtora portuguesa pretende de igual forma entrar noutros segmentos como tratamento de resíduos, materiais de construção, cujo investimento estará à volta de 55 milhões de euros até 2014.

Por isso, pretende criar uma empresa de direito angolano que agregará a actividade angolana da Soares da Costa, assim como formar uma joint-venture com uma angolana para actuar no segmento de materiais de construção.

Nesta perspectiva, a construtora lusa espera um aumento de 70 por cento no volume de negócios, alcançando os 1,5 milhões de euros em 2014.

Grupo Caisais

Já o grupo Casais vai alargar a acção para os sectores da energia e do ambiente. A empresa vai participar também no programa de construção de um milhão de casas até 2012, traçado pelo Executivo angolano. A construtora direcciona os seus projectos, nos próximos cinco anos, para a área de construção civil e reforço nas obras públicas.

Odebrecht

A construtora brasileira Odebrecht esteve também presente na Constrói Angola, onde apresentou vários projectos habitacionais e sociais. O director de relações internacionais da multinacional brasileira, Alexandre Assafe, revelou que a empresa vai implementar um projecto infra-estrutural de 20 mil casas na localidade do Zango (Viana), em Luanda. Além disso, vai actuar no sector de energia na localidade de Cambambe (Kwanza-Norte). Já no princípio deste ano, fez a entrega de 440 kva. E está ainda prevista a entrega em Dezembro de uma linha de transmissão de 220 Kva. Pretende terminar ainda este ano vários troços rodoviários sob a sua alçada em curso em Angola, como é o caso da via expressa Luanda-Kifangondo.

A Odebrecht já reabilitou desde a sua existência em Angola cerca de 300 quilómetros, e em todos os projectos em curso, desde a sua implantação no país, proporcionou 40 mil empregos.

Peso no PIB

O sector da construção representou 7,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, correspondendo a um aumento de mais três pontos percentuais em comparação ao ano de 2006. Além disso, progrediu em termos de importância no sector não petrolífero, representando 12,4 por cento do produto gerado fora do sector petrolífero face aos 9,7 por cento de 2006.

O sector da construção assumiu também o terceiro lugar, a seguir à agricultura e ao comércio, no que se constituíram num dos sectores que mais empregos proporcionou. Espera-se até 2010 atinja os 300 mil empregos, enquanto em 2005 empregava 72 mil pessoas e em 2008 270 mil trabalhadores.

Dados da ANIP apontam que, em 2006, os projectos na construção estavam avaliados em 238 milhões de dólares. No final do primeiro semestre de 2009, dos mil milhões de investimentos, cerca de 18 por cento eram afectos à construção. O Orçamaneto Geral do Estado (OGE) de 2010 reservou um investimento total de 452,6 mil milhões de kwanzas para o sector de construção. O sector tem definido um Programa Nacional de Urbanismo e Habitação, a ser cumprido no período de 2009-2012, projectado para a construção de um milhão de fogos a nível do território nacional.

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