A escassez registada no fornecimento de água potável, principalmente nas zonas suburbanas da cidade de Luanda, continua a ser preocupação para muitos cidadãos.
O JE saiu à rua para avaliar o grau de satisfação dos cidadãos no pagamento do que se consome, no que diz respeito à água, luz e lixo, e constatou a insatisfação dos mesmos no abastecimento da água potável.
Segundo Vanilson Jerónimo, a qualidade dos serviços como o abastecimento de água potável, energia e recolha de lixo tem deixado muitos cidadãos apreensivos, razão justificada para o não pagamento dos mesmos.
nos últimos anos, vários investimentos têm sido feitos no sector das águas e energia e tem-se notado melhorias no que concerne ao abastecimento da energia, mas ainda, assim, os níveis de cobertura em abastecimento de água e saneamento deixam a desejar.
“actualmente, estamos a registar melhorias consideráveis no fornecimento de energia eléctrica, fruto da sincronização da segunda central da barragem de cambambe esperemos que continue assim”, afirmou.
A cidadã Joana Fernando é de opinião que o as empresas estatais devem prestar serviços com qualidade para que o cidadão se sinta satisfeito para poder pagar os serviços que consome.
De acordo com a cidadã, há necessidade de se manter a cidade limpa e iluminada, acção essa de higiene e iluminação associada à redução de doenças, o elevado índice de mortalidade e evitar os acidentes nas vias públicas
por falta de iluminação.
No que toca ao abastecimento de água, Joana Fernando é de opinião que se deve investir mais no sector, porque este é um bem precioso e muito importante para o ser humano.
Por outro lado Maria Menezes, disse que os valores que paga ao Estado não se reflectem no serviço prestado e as infra-estruturas de abastecimento de água e saneamento não acompanharam o crescimento da população e da cidade. As irregularidades no abastecimento de água e a falta de acesso à rede pública levam a população a procurar fontes alternativas e nem sempre as mais favoráveis como por exemplo o abastecimento por cisternas.
A funcionária pública Domingas André disse que a água que se consome em Luanda é péssima e prejudicial para a saúde do cidadão, agora no que tange à energia há melhorias com o
pagamento pré-pago.
No que toca ao pagamento do lixo, em comparação com a cobrança da água e da energia eléctrica, devem constar do estudo social que carece este projecto, para que o programa possa ser exequível a todos os níveis.
“Em suma, não me sinto satisfeito com o pagamento do que se consome, pois o Estado presta uma má qualidade de serviços”, disse.
O economista José Gaspar afirmou que a energia eléctrica nos últimos anos melhorou bastante, agora no que diz respeito à água é diferente. A população das áreas urbanas têm acesso à água canalizada mas devido ao mau estado da rede os cortes e falhas no abastecimento são frequentes, enquanto nas áreas periurbanas, os populares recorrem aos chafarizes, em muitos casos inoperantes, obrigando as populações com ou sem ligação à rede a recorrerem ao abastecimento de água com má qualidade e de origem duvidosa, vendida por camiões cisterna, cujo objectivo principal é a obtenção de lucro.
“O Governo deve prestar serviços com qualidade para que o cidadão se sinta satisfeito para poder pagar os serviços que consome”, afirmou.
A distribuição de água potável às zonas periféricas é insuficiente para atender as necessidades de consumo da população e
de fraca qualidade.
O governo deve criar entidades gestoras para assegurar e gerir de forma sustentável os sistemas de abastecimento, em regime de empresas públicas, de água e saneamento, a fim de melhorar a distribuição deste líquido tão importante em todo o país e assim evitar muitas doenças.