A conta de bens apresentou uma melhoria de 31,85 por cento no seu saldo positivo face ao mês anterior, tendo-se registado um incremento das exportações (16,94) e uma diminuição das importações (15,82).
No que toca às exportações, realça-se o aumento de 131,08 por cento das exportações de diamantes, apesar da diminuição de 38,18 do preço, que foi impactado a nível mundial com o escândalo do magnata Nirav Modi (fundador de uma das maiores empresas de diamantes) que está a ser acusado de uma fraude de usd 2 mil milhões contra o banco público indiano, Punjab National Bank, segundo a Rapaport USA Inc. Assim, a contribuir para este aumento esteve o crescimento das quantidades exportadas em 275,76 por cento, situando-se em 1,24 milhões de quilates. Relativamente às exportações petrolíferas, registou-se uma subida de 9,32 por cento devido ao aumento das quantidades exportadas (8,44).
A diminuição das importações foi generalizada, tendo ocorrido na maioria das grandes categorias, nomeadamente, máquinas e aparelhos, veículos, produtos farmacêuticos, entre outros. Ressalta-se que a categoria bens alimentares registou um aumento de 13,36 por cento face ao mês de Fevereiro.

Sector real
Segundo dados do Ministério dos Petróleos, em Março, a produção petrolífera angolana fixou-se em 1,496 Mb/d, uma recuperação face ao mês de Fevereiro, em que se registou 1,398 Mb/d.
O Indicador Mensal da Actividade Económica (IMAE) evidencia um comportamento desfavorável, cenário observado desde o final de 2015 e que persistiu até Março de 2018, apresentando uma deterioração acentuada nos últimos três meses, apesar de em Março de 2018 ter registado um comportamento menos desfavorável, tendo aumentado a sua taxa de variação homóloga na ordem de 0,46 p.p. (passando de -6,14 por cento para os -5,68) em relação ao mês anterior.
Já o índice de produção industrial referente à actividade em 2017, publicado em Março pelo INE, registou uma contracção média de 5,2 por cento quando comparado a 2016. Porém, esta contracção ocorreu, essencialmente, no I trimestre do ano sendo que no IV trimestre registou-se uma contracção de apenas 3,05. Os sectores que mais contribuíram foram a indústria alimentar e a de madeira.

Transacções na bodiva totalizam
64,3 mil milhões AKZ em março

O mercado secundário da dívida, sob gestão da Bodiva, permanece dinâmico. Em Março, foram registadas transacções no valor de kz 64,3 mil milhões mais 32,09 por cento que o montante transaccionado em Fevereiro e mais 205,82 que em Março de 2017. Ressalta-se que, em 2017, tanto no mercado primário como no secundário, houve uma clara preferência dos agentes económicos por Obrigações do Tesouro, essencialmente, as indexadas à taxa de câmbio, o que demonstra, a elevada necessidade de cobertura do risco cambial. As Obrigações do Tesouro são cerca de 99 por cento das transacções efectuadas no mercado secundário.
As OT-INBT são instrumentos de dívida pública interna de médio e longo prazo (acima de 364 dias) cuja remuneração é a média dos últimos seis meses da taxa de juro dos BT 364 dias adicionado de um spread que varia entre 1 a 1,75 por cento (3 a 6 anos, respectivamente).

Moeda Nacional com nota alta

O agregado monetário, em moeda nacional, variou positivamente em 2,10 por cento, situando-se em kz 4.315,91 mil milhões. O mercado monetário interbancário mantém a dinâmica observada nos últimos meses, registando um montante transaccionado de kz 697,49 mil milhões que corresponde a uma redução mensal de 23,25 por cento. Porém, registou-se um aumento homólogo de 256,06 que pode ser explicado pela assimetria da liquidez global. Os bancos com liquidez excedentária podem não estar dispostos a cedê-la através do mercado monetário interbancário, ou dispostos a taxas mais elevadas, essencialmente, por dois motivos: (i) as reservas livres correspondem à liquidez desejada; (ii) a avaliação do risco dos bancos deficitários leva os bancos excendentários a praticar taxas superiores à taxa de juro directora. Assim, a taxa Luibor na maturidade overnight aumentou em 0,13 p.p. face ao mês anterior fixando-se em 20,12 por cento.

Emissão de títulos reduz mas
cenário macroeconómico é positivo

A emissão de títulos do Tesouro registou, no mês de Março, uma redução mensal de 74,21 por cento. O mercado de dívida pública titulada em Angola tem ganho maior destaque e dimensão por força das dificuldades de tesouraria que o Governo enfrenta face ao volume de despesas que excedem as receitas ordinárias. Enquanto a emissão realizada em Fevereiro de kz 216.046,14 foi na totalidade de Obrigações do Tesouro, no mês em análise apenas foram emitidas 37 por cento em OT dos kz 55.720,77 em emissões de títulos do Tesouro.
Os títulos de dívida pública têm merecido atenção dos agentes económicos, essencialmente, as Obrigações do Tesouro indexadas à taxa de câmbio (OT-TXC). Porém, o Tesouro pretende futuramente minimizar a emissão deste instrumento. Face às crescentes necessidades de financiamento do Tesouro Nacional, através do despacho nº80/18 de Março de 2018 do Ministério das Finanças, foi criado um novo instrumento de dívida denominado Obrigações do Tesouro indexadas à taxa dos Bilhetes do Tesouro de 364 dias (OT-INBT) que deverá passar a ser um instrumento prioritário nas suas emissões em detrimento das OT-TXC.
O Plano Anual de Endividamento de 2018 (PAE 2018) indica que foram alocados para a emissão de OT-INBT cerca de kz 466,96 milhões, o que corresponde a 19 por cento do total disponível para leilão de Obrigações do Tesouro e 10 por cento da emissão total de títulos públicos. Realça-se que esta emissão terá como finalidade o financiamento de investimentos públicos previstos no Orçamento geral do Estado (OGE) de 2018.