A visão do país, depois do discurso sobre o Estado da nação, proferido na terça-feira (15) pelo Presidente João Lourenço, une e divide opiniões, mas mantém na retina de quase a generalidade dos angolanos de que um percurso mais difícil atravessou-se e caminha-se, passo a passo, para um quadro mais aceitável.O economista Fernando Heitor entende que a economia nacional sem gozar de boa saúde também não deve ser vista como um doente moribundo.Heitor disse mesmo que a medicação à terapia em curso vai surtir os efeitos desejados, uma vez estarem identificados todos os constrangimentos que travam a aceleração do desenvolvimento económico.
O Presidente lembrou da diferença cambial que existia no passado entre a taxa informal e a formal. Está a diminuir e isso é bom. O sucesso das medidas macroeconómicas vai também garantir cada vez mais uma maior estabilidade aos preços e aos vários indicadores seja da política cambial, monetária ou de outra natureza”, afirmou.O também consultor empresarial diz não ser das melhores a actual situação das empresas e dos empresários. Contudo, é mais importante uma mobilização geral contra os aproveitamentos especulativos de grupos.Para o economista Fernando Vunge, O Presidente da República centrou o seu discurso fazendo um balanço das principiais medidas de políticas implementadas nos vários sectores da vida económica e social durante estes dois anos do seu mandato e fez menção dos principais resultados obtidos com destaque sobretudo das medidas constantes do Plano de Estabilização Macroeconómicas.Na visão do bancário e docente de economia da Universidade Agostinho Neto, o destaque recaiu para a consolidação fiscal, a gestão da dívida pública que actualmente situa-se em dos 90% do PIB e se pretende baixar nos 60% até 2022, a redução da inflaçã que ronda actualmente os 17%, a gestão prudente das Reservas Internacionais Líquidas que actualmente cobrem aproximadamente 7 meses de importações, indicadores que possibilitarão a retoma do crescimento económico.“Ppodemos inferir como expectativas positivas que darão um certo conforto para a actracção do investimento privado.
Cabe destacar que este discurso sustentado de dados estatísticos mesmo que preliminares mas fazem uma antevisão do que será o “checking and balance” das promessas contantes no seu programa de governação que sustenta o seu mandato até 2022, donde podemos destacar a promessa de 500 mil empregos”, disse.De acordo com Fernando Vunge, os dados apresentados sobre os postos de trabalho criados até agora criam uma certa expectativa no cumprimento dessa meta, tendo em conta, que pese embora ser responsabilidade do Estado criar as políticas e o ambiente de negócios conducentes ao cumprimento desse objectivo, ser o sector privado o protagonista na criação dos postos de trabalho com o apoio de políticas como o Prodesi, o PAC, as linhas de financiamento internacional negociadas pelo Estado para repasse ao sector privado dentre outras medidas.Já o economista Rui Malaquias, na sua avaliação sobre os números da economia apresentados pelo Chefe do Governo, diz ser inegável que situação económica não é boa e o Presidente da República em momento algum disse que a situação era boa ou que não haviam dificuldades, foi um discurso realista a apontar, como ele mesmo disse, o pouco que se fez dentro das possibilidades actuais.
“O Presidente reconheceu que as medidas não surtiram os efeitos, porque não foram aplicadas a tempo necessário e também porque não há recursos para fazer tudo o que se precisa, e de certa forma foi feita uma meia culpa, pela governação anterior que é do mesmo partido”, disse.

Poder de compra
Segundo Rui Malaquias, é importante aqui dizer que o discurso era sobre o estado da nação e a abordagem foi transversal e economicamente o que se pode dizer é que as medidas ainda não tiveram tempo de dar resultados e que sacrifícios, como a implementação do IVA e outras terão de ser suportados e por todos desde o topo à base. Considera a estabilidade cambial como sendo essencial para uma economia importadora como a nossa, e o abandono da taxa de câmbio fixa visou conferir o preço real à moeda estrangeira e terminar com a diferença entre o câmbio informal e o câmbio oficial. Contudo, na sua visão, já era sabido que desvalorizar sem entrada normal de dólares seria um exercício duro e penoso.
“A verdade é que, neste momento, continua haver uma pressão forte sobre a moeda estrangeira e o BNA não tem conseguido responder”, admitiu.
Para o economista, assim sendo, deve-se assumir ser a variável cambial ainda um problema para o já fraco poder de compra dos angolanos e o reflexo na economia real é visível, pois o kwanza continua em tendência decrescente e os preços dos bens e serviços tendem a aumentar pois são sempre necessários mais kwanzas para comprar o mesmo dólar e como importamos quase tudo os preços em kwanzas vão subindo a medida
que a taxa de câmbio varia.
No sector da Justiça, a deputada disse que também continua a existir no país mais de sete milhões de angolanos sem bilhete de identidade, o que significa, na sua óptica, que a cidadania está a ser negada a muitos cidadãos. Sobre as autarquias, Mihaela Webba lamenta o facto de estas não serem abordadas com clareza no discurso de João Lourenço. “O Presidente disse, simplesmente, que o pacote legislativo autárquico está na Assembleia Nacional. Decidiu não dizer nada relativamente à data das eleições, se efectivamente haverá ou não eleições em 2020”, lamentou.
Para a deputada, nesta questão em concreto, o Presidente da República foi omisso, deixando a entender que sem a questão da legislação resolvida não haverá eleições e a responsabilidade recai para o órgão legislativo.
O discurso sobre o Estado da Nação, pronunciado pelo Presidente João Lourenço, na terça-feira (15) provocou reacções diversas à opinião pública, sendo que os números do balanço apresentado mostraram uma economia em marcha.