O crédito malparado na banca comercial pública e privada, que a Recredit poderá ter de comprar ao todo, aproxima-se dos 500 mil milhões de kwanzas (1,9 mil milhões de dólares).
Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), a alta exposição dos bancos às pressões e uma relação muito profunda com Pessoas Políticamente Expostas (PEP) prejudicam o desempenho do sector, que vê cada vez mais crescer os activos de recuperação duvidosa.
Aliás, o FMI, na sua última visita técnica a Angola, previu em 1 por cento da riqueza nacional, o que terá de ser investido na Recredit, instituição de direito público criada em 2016 para compra dos activos duvidosos da banca, para que esta possa absorver o malparado da banca.
Contra o inicialmente previsto, que era só comprar o crédito malparado do Banco de Poupança e Crédito (BPC), a missão da Recredit foi alargada, a posterior, à toda a banca (pública e privada), e além dos Kz 300 mil milhões (1,1 mil milhões de dólares) do BPC que negoceou discute a aquisição de 180 mil milhões (Usd 703 milhões) a outros cinco bancos. O também público BCI fez saber recentemente que a retoma dos créditos está a depender desta operação de recompra do seu crédito, mas anunciou já uma provisão de Kz 13 mil milhões (50 milhões de dólares) para tal fim.
Ao todo, o sistema bancário deverá ter em crédito malparado um valor global de 1,1 triliões de kwanzas (4,3 mil milhões de dólares). O Plano de Estabilização Macroecnómica (PEM) do Governo prevê, por isso, regras mais apertadas para a banca comercial.