Na Quarta-feira, dia 13 de Dezembro, pudemos, mais uma vez, apreciar o Presidente da República a discursar, mas, desta vez, nas vestes de Vice-Presidente do MPLA, o partido no poder. Como já nos habituou, desde que assumiu a chefia do Estado, João Lourenço voltou a brilhar para a alegria de milhões de angolanos e não só que se revêm indiscutivelmente nos seus pronunciamentos.
Na verdade, sempre que o presidente discursa, os cidadãos vibram. Vibram porque João Lourenço traz sempre algo de novo que vai ao encontro às suas expectativas. E isto pode ser facilmente percebido nas conversas de esquina e nas redes sociais, espaços onde, de resto, conflui boa parte da população preocupada com o rumo do país. Há até mesmo quem afirme, nesses espaços, que João Lourenço veio resgatar a confiança dos cidadãos para com o Executivo.
Voltando ao discurso de que nos referíamos atrás, João Lourenço, sempre centrado nos objectivos do seminário, disse muitas coisas que consubstanciam caminhos que poderão ajudar o país a livrar-se da corrupção ou, no mínimo, mantê-la em níveis menos diabólicos como os actuais(de que nos pretendemos libertar o mais rápido possível).
Contudo, é o anúncio do ultimato que se vai dar, a partir de Janeiro de 2018, aos nacionais que expatriaram capitais de Angola, a fim de trazerem de volta (estes capitais) ao país, que está a fazer furor em tudo quanto é canto.
A maioria da população, como se pode perceber facilmente, está de acordo com essa medida. Porém, como se pode esperar, algumas pessoas (provavelmente, que expatriaram capitais), já devem estar com os cabelos em pé. Paralelamente a isso há quem considere muito difícil a implementação desta medida.
Ora, na nossa opinião, a ideia de João Lourenço, de trazer para o país os capitais expatriados (ilicitamente), que muita falta fazem à nossa economia, deve ser bem entendida e, se possível, acatada por todos, pois trata-se de um assunto de interesse nacional.
Angola está a viver um período extremamente delicado do ponto de vista económico que muitos (provavelmente distraídos),
ainda não se aperceberam.
Ora vejamos: quando se fala de “bons” índices mundiais, evidenciando o bem-estar das populações, o nosso país aparece quase sempre na cauda; e quando o assunto são os índices que “não prestam” relativos a baixa qualidade de vida das populações, Angola está sempre no topo.
Paralelamente a isso, Luanda quase sempre aparece nos estudos como sendo a cidade mais cara do mundo para expatriados. As taxas de desemprego são elevadas; a economia pouco ou nada cresce; a inflação nos últimos anos quase sempre situou-se acima dos níveis previstos. Em conjunto (ricos, pobres, abastados, miseráveis, etc.) continuamos a contemplar a diversificação da economia nos binóculos. E como consequência disto as condições sociais degradam-se, tendo o sector da saúde como um dos poucos escapes
de tudo isso, infelizmente.
As previsões de crescimento da nossa economia para 2018, embora sejam positivas, continuam aquém do ideal: alguns analistas apontam taxas em torno dos 2 por cento e outros ainda na vizinhança dos 4,1 (Consultora MBI Research). Crescer é sempre melhor do que estagnar ou entrar em recessão. Contudo, para uma economia “pequenina” como a nossa, crescer abaixo dos 5 por cento, acarreta uma certa morosidade no abandono da “linha vermelha” (na cauda dos bons índices e no topo dos maus índices), em que nos encontramos. Precisamos, portanto, crescer a dois dígitos ou na vizinhança disto.
É óbvio que o crescimento económico não implica necessariamente a melhoria das condições sociais dos cidadãos, contudo, para Angola, na situação actual, o caminho do desenvolvimento social e económico passa, necessariamente, por boas taxas de crescimento (dois dígitos ou quase a isto). Doutra forma nunca chegaremos lá.
Nesta conformidade, (e se tivermos um pouco só de juízo), de modo a potenciar o crescimento da nossa economia, só teremos mesmo de convergir na ideia do regresso (urgente) dos capitais, expatriados (i)licitamente do pais. Para efeito, os detentores destas fortunas no estrangeiro, devem propiciar, patrioticamente, o regresso das mesmas ao país, sob a forma de investimentos para fomentar crescimento económico, emprego e bem-estar das famílias no nosso país.