O relatório “Banca em Análise 2016” mostra que o peso dos depósitos em moeda nacional mantiveram a sua tendência de crescimento em detrimento da moeda estrangeira passando a representar 67 dos depósitos totais.
O valor total dos depósitos de clientes no sector bancário nacional foi de 7.043 mil milhões de kwanzas este ano, representando um crescimento de 16 por cento face ao ano de 2015.
Já o crédito líquido a clientes cresceu para 3.062 mil milhões de kwanzas, o que representa um aumento de 12 por cento face ao ano anterior. O outro indicador considerado importante são os pagamentos electrónicos que mantiveram a tendência crescente estimada , sendo que de 3,4 milhões em 2015 para 3,6 milhões em 2016. s activos do sistema bancário nacional representaram, em 2016, cerca de 63 por cento do PIB, o que demonstra a sua importância no sistema financeiro nacional.
Durante o exercício económico de 2016, a banca angolana demonstrou um elevado grau de resiliência, apesar da conjuntura económica, materializada pelos níveis historicamente baixos da cotação do petróleo nos
mercados internacionais.
Apesar disso, a banca conseguiu alcançar um desempenho positivo, com destaque para o reforço dos fundos próprios que restringiram um aumento de 26 por cento face ao 2015.

Riscos imprudentes
De acordo com a secretária de Estado para o Orçamento e Investimento, Aia Eza da Silva, que presidiu, ontem, em Luanda, ao lançamento da 12ª edição do estudo “Banca em Análise” da consultora Deloitte, o exercício de regulação e supervisão são indispensáveis na identificação de riscos imprudentes das
instituições financeiras.
Aia Eza da Silva disse, por outro lado, que a banca joga um papel preponderante na dinamização da economia nacional, daí a necessidade de se conhecer, periodicamente, o seu desempenho para uma melhor tomada de decisões, as quais se destinam em melhorar o ambiente económicio e financeiro.

Visão da Deloitte
Por sua vez, o sócio-líder financeiro da Deloitte Angola, José Barata, sublinhou que o relatório hora apresentado indica que o volume dos activos agregados pelas instituições financeiras angolanas estão fixados em 8.702 mil milhões de kwanzas.
Para o responsável, o resultado líquido total dos bancos em análise registou um crescimento de cerca de 55 por cento, em 2016, fixando-se nos 174.019 mil milhões de kwanzas, incorporados na valorização dos cinco maiores bancos do mercado angolano.
No estudo lê-se, igualmente, que o Banco de Poupança e Crédito (BPC) continua a liderar a lista das instituições bancárias com mais activos, estimados em 1.6 triliões de kwanzas, seguida pelos bancos BAI, BFA e BMA.
Os cinco maiores bancos representam 73 por cento do total do activo dos bancos que constam do estudo da Deloitte e o seu activo registou um aumento de 23 por
cento face ao ano anterior.
Por sua vez, o docente universitário e fundador do Centro Globalização e Governação da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Jorge Braga de Macedo, convidado a intervir na apresentação do estudo, indicou que a crise económica afectou vários países do mundo. Ainda assim, considerou que os indicadores da economia angolana mostram-se resilientes às adversidades do sistema financeiro internacional.
Já o presidente do Conselho de Administração do Banco Valor, Generoso de Almeida, defendeu que Angola precisa encontrar mecanismos para liberalizar o mercado cambial de modo a melhorar o acesso às divisas, pois sem as quais a importação de mercadoria, bem como de matérias-primas torna-se cada vez mais dificil.