Os depósitos totais em bancos apresentaram em Janeiro e Fevereiro deste ano uma tendência ligeiramente descendente em função da desaceleração dos níveis de poupança por parte dos agentes económicos. As taxas chegaram a descer em 2.3 por cento e 0,4, respectivamente, em relação ao mês precedente. A taxa de variação homóloga foi de quatro por cento, em Dezembro de 2009, e 27,8 por cento, em Fevereiro deste ano.

Assim, os depósitos em moeda nacional, após caírem 0,5 por cento em Janeiro último, subiram para 2,2 por cento em Fevereiro, e a taxa de variação anual acelerou significativamente de 5,2 por cento para 24,5 em Janeiro e Fevereiro, o que se deveu a um efeito estatístico decorrente de uma queda superior a 11 por cento no segundo mês do ano.Em Março, a taxa de variação homóloga abrandou e manteve-se acima de 10 por cento.

Moeda estrangeira

Quanto aos depósitos em moeda estrangeira, estes apresentaram uma queda mensal de quatro e três por cento, também em Janeiro e Fevereiro últimos, respectivamente, e em termos homólogos a sua taxa de variação sofreu uma desaceleração de cerca de 50 por cento no final do ano, para 31,5 por cento no segundo mês do ano.

Assim, excluindo os efeitos decorrentes da depreciação cambial, a taxa de variação homóloga desacelerou de 26 por cento para 10 por cento no mesmo período.

Entretanto, nos meses de Março e Abril, a depreciação do kwanza ainda teve um efeito positivo sobre a evolução dos depósitos, mas a inflexão desta tendência atenuará este efeito nos meses seguintes.

Contudo, o aumento das receitas petrolíferas irá proporcionar um acréscimo dos depósitos em moeda estrangeira, mais do que contrabalanceando o efeito da depreciação do kwanza.

Crédito ao privado

O crédito ao sector privado manteve a tendência de aceleração verificada desde o final do terceiro trimestre de 2009. Em Setembro de 2009 e Fevereiro deste ano, a taxa de variação homóloga acelerou de 42,3 por cento para 69,5, constituindo o valor mais elevado desde Outubro de 2008.

Em linha com a desaceleração da actividade económica nos sectores não petrolíferos no último ano, o crescimento do crédito ao sector privado apenas abrandou o ritmo, mas não se registou nenhuma variação mensal negativa.

A aceleração observada a partir de Setembro de 2009 é indicativa de uma recuperação da actividade económica no país.Assim, os particulares mantêm-se como os principais destinatários de crédito ao sector privado, com 43 por cento neste segmento. Nos meses de Setembro de 2009 e Fevereiro de 2010, o crédito a particulares aumentou 40 por cento, um ritmo superior ao total do crédito ao sector privado que é de 30 por cento.

No que concerne ao crédito ao sector do comércio (grosso e retalho), este constitui a segunda parcela mais significativa do crédito ao sector privado com 18,7 por cento, e o seu crescimento no período considerado foi de 15 por cento.

A Construção Civil e o transporte, cujo peso era de oito e seis por cento, respectivamente, são os sectores que se seguem na ordem de captação de financiamento. Enquanto o primeiro cresceu 26 pontos percentuais em Setembro de 2009 e Fevereiro de 2010, o segundo apresentou um crescimento de 69 no mesmo período.

Facilidade ao crédito

Contudo, a distribuição do crédito ao sector privado em Angola continua a evidenciar uma concentração elevada no crédito a particulares. Segundo os decisores económicos, seria benéfico para uma maior e mais rápida diversificação da actividade económica, assistirmos no país a uma maior concentração do crédito nas actividades produtivas, tais como a indústria transformadora com 3,7 por cento do total, ou na agricultura com 1,4 pontos do total.

Assim, advogam que o crescimento do sector privado é essencial para que Angola consiga efectuar uma diversificação do seu tecido económico para além do sector petrolífero. Para isso, além do desenvolvimento de infra-estruturas básicas, e de um ambiente propício à iniciativa empresarial pelas autoridades, será necessário um crescente acesso ao crédito ao sector privado.

Actualmente, os níveis da pobreza da maioria da população excluem-na do acesso do financiamento através da banca tradicional (bancos comerciais), pelo que cabe às autoridades criarem um ciclo de crescimento que abranja uma larga camada da população.

Para os economistas, a melhoria das condições de vida permitirá um crescente acesso ao crédito, o que deverá resultar num incentivo à iniciativa privada. O aumento da iniciativa privada ajudará ao processo da diversificação da economia e, consequentemente, aos benefícios daí decorrentes, nomeadamente a diminuição da independência face às importações, diminuição da independência das receitas públicas do sector petrolífero, criação de emprego em sectores intensivos em trabalho (ao contrário do sector petrolífero), aumento generalizado das condições de vida, entre outros.

Crédito agrícola

O Executivo angolano anunciou no princípio deste ano a disponibilização de uma linha de crédito dedicada ao sector agrícola de forma a garantir o financiamento de pequenos agricultores no valor de 350 milhões de dólares (cerca de 0,9 por cento do PIB não petrolífero). No período colonial os níveis de produção agrícola faziam de Angola um país essencialmente exportador de bens alimentares, sendo mesmo um dos principais produtores mundiais de café.

Desde o início do processo de paz, as autoridades têm aumentado os seus esforços no sentido de aumentar a produção agrícola. Para além de diminuir as necessidades de importações (actualmente Angola necessita de importar a maioria dos bens alimentares que consome), o aumento da produção agrícola irá permitir diminuir a pobreza entre a população rural, e assim atenuar os movimentos da população para as áreas urbanas (normalmente associados do aparecimento de bolsas de pobreza).

Actualmente o peso do sector agrícola no PIB não petrolífero ronda os 20 por cento.

Leia mais sobre outros assuntos na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação