O processo de desdolarização da economia angolana, favorecido pela estabilidade macroeconómica conseguida em 2012, mantém-se em linha com os objectivos traçados pelo Executivo, através do banco central, de baixar a inflacção e aumentar os níveis das reservas internacionais.

Segundo disse o economista e docente universitário, Jorge Leão Peres, a economia angolana consolida o seu crescimento sustentável e, por mérito da coexistência de uma política fiscal e monetária coerentes e em sintonia, hoje é cada vez mais evidente a estabilização do sistema financeiro angolano, com o BNA a jogar um papel preponderante no sector bancário.

Leão Peres, que falava na palestra sobre “A desdolarização da economia”, realizada nesta quarta-feira (4), em Luanda, promovida pela Associação dos Executivos Brasileiros em Angola (AEBRAN), lembrou que o sucesso da desdolarização da economia deveu-se, igualmente, a um conjunto de medidas complementares, como é o caso da concepção de créditos em moedas estrangeiras e a obrigatoriedade do uso de moeda nacional nos serviços de remessa de valores.

“A estabilidade macroeconómica conseguida em 2012, consubstanciada no crescimento económico sustentável na ordem de 7,4 por cento, a desaceleração da taxa de inflação para abaixo de dois dígitos e o aumento das reservas internacionais calculadas em 32 mil milhões de dólares, em combinação com medidas de natureza operacional adoptadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), acalentam as vias conducentes ao alcance do sucesso da desdolorização da economia”, disse.

Ainda nesta perspectiva, o economista considera que o kwanza, enquanto moeda nacional, deve efectivamente desempenhar as suas funções, em detrimento do poder liberatório do dólar norte-americano aceite normalmente como meio de pagamento, cuja circulação extra bancária exarcebada só cria disfunções
na economia.