A Owini é uma empresa subsidíaria do Grupo Mitrelli, especializada em projectos de água. Há décadas em Angola, é até à data, responsável pela montagem de sistemas de captação e distribuição de água no âmbito do projecto governamental “Água para Todos”.
Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o director para Angola, ZafrirVaknin, faz um balanço do projecto, bem como seu impacto aos olhos da Owini, nas vidas das populações até aqui atingidas. Disse que 2019 é a meta para a conclusão dos projectos lançados o ano passado.
No âmbito do Programa “Água Para Todos”, o Grupo Mitrelli foi responsável pela execução de sistemas de abastecimento de água em várias localidades das províncias de Moxico, Cuanza Sul, Lunda Norte, Uíge e Zaire. 

Que quadro pode apresentar-nos sobre os trabalhos até aqui realizados em cada uma dessas localidades?
A Owini, empresa subsidiária do Grupo Mitrelli,especializada em projectos de água, tem sido um parceiro estratégico do Governo angolano na implementação do Programa “Água Para Todos”, que prevê levar o precioso líquido a zonas remotas do país.
Na primeira fase do programa, a Owini foi responsável pela construção de 152 sistemas e, destes,foram concluídos e entregues ao Ministério da Energia e Águas 139 sistemas. Os restantes encontram-se em estado avançado de conclusão.
Recentemente foi lançada a segunda fase do programa nas províncias de Malanje e CuandoCubango, onde estão previstas a construção de mais algumas dezenas de sistemas de abastecimento de água.

Qual é o âmbito e o calendário desta segunda fase do projecto e quando é concluído?
Na segunda fase do Programa “Água Para Todos”, a Owini vai construir 62 novos sistemas, 12 em Malanje e 50 no Cuando Cubango.
Os trabalhos de construção, lançados no mês passado em ambas as províncias,deverão estar concluídos até ao último trimestre de 2019. 

Quais são os principais critérios de selecção das áreas onde são implementados os sistemas?
Essa é uma área da exclusiva competência do Governo de Angola. A Owini recebe do Ministério da Energia e Águas a lista de localidades que deverão beneficiar de sistemas de abastecimento de água e, para cada uma delas, procura as melhores soluções para implementar os projectos.
Estima-se que a população servida pelos projectos implementados pela Owini seja de cerca de 650.000 habitantes.

Quantos, até à data, foram contemplados pelo projecto?
O que lhe posso dizer sobre isso é que os nossos projectos atingem muitas dezenas de milhares de cidadãos angolanos que passam a ter água potável junto às suas casas, melhorando significativamente a sua qualidade de vida.
Quanto aos números, que, na realidade, variam com a evolução demográfica do país, esses são, naturalmente, dados estatísticos que só podem ser compilados pelas autoridades angolanas.
Após a conclusão dos trabalhosde construção está previsto um período de um ano de garantia de operação e manutenção dos sistemas.

Como está a decorrer esta experiência? Concorda com a avaliação de que, por vezes, se gasta mais com a manutenção dosprojectos do que com a respectiva implementação?
A manutenção é um factor essencial para o sucesso dos projectos. Deixe-me dizer-lhe que, em cada localidade, a Owini assume a responsabilidade pela operação e manutenção durante o primeiro ano de funcionamento. Nesse período, nós promovemos formação e treino a pessoas que ficam aptas a realizar operações de manutenção na localidade, e estamos a falar das populações, de habitantes das localidades beneficiadas.
A partir daqui, podemos dividir esta questão em duas: No primeiro caso, que felizmente corresponde à maioria dos casos, os habitantes compreendem a importância da operação adequada dos sistemas e da respectiva manutenção e estes funcionam sem problemas de maior, mas há também aqueles casos, felizmente, em muito menor número, em que tem havido algumas dificuldades.
Não concordo com a afirmação segundo a qual o que se gasta em manutenção é mais do que o que se aplica na implementação, nem tem de ser assim. Os sistemas instalados são avançados, de alta-tecnologia, é verdade, mas, ao mesmo tempo são muito simples de operar e de manter. Se a manutenção for contínua e bem feita a nível de cada localidade, isso resultará em muitos anos de trabalho contínuo a baixo custo.

Ainda no que diz respeito à manutenção e ao facto de alguns desses novos sistemas de abastecimento de água terem deixado de funcionar, quais são, na sua opinião, as principais razões para tal?
Durante os primeiros doze meses de actividade, a empresa garante o pleno funcionamento dos sistemas, como já referi. Daí em diante, a responsabilidade passa a ser das autoridades locais.
É verdade que há sistemas instalados que, infelizmente, deixaram de funcionar depois do fim do período de garantia, mas isso não se deve a problemas técnicos inerentes aos próprios sistemas, mas sim a falta de cuidado na operação e falta de manutenção.
E tem havido também algums casos de vandalismo e de roubo de equipamentos que, infelizmente, tornam os sistemas inoperantes. Contudo, temos vindo a fazer um esforço para, sempre que possível, encontrar soluções para os casos em que surgem dificuldades após o fim do período de garantia e a pedido do Ministério da Energia e Águas (MINEA), vamos começar em breve a verificar os casos em que os sistemas não estão em operação plena, vamos pô-los , de novo, a funcionar e vamos dar treino adicional aos operadores locais de acordo com as necessidades.

Qual é a vida útil dos sistemas de abastecimentos de água instalados pela Owini? Nessa perspectiva, como acha que deveria ser feita a manutenção para além do período de garantia?
Os nossos sistemas são concebidos para um trabalho contínuo de mais de dez anos.
Com boa operação e manutenção adequada, os sistemas podem cumprir a sua missão durante muito tempo.
No que se refere à manutenção no período pós-garantia, existem várias opções, seja a nível da localidade seja a nível do município ou da província.
A meu ver, o mecanismo mais eficaz seria a contratação de empresas de manutenção, recrutadas através de contratos de longo prazo, com a missão de assegurarem a operação e a manutenção dos sistemas.
Naturalmente, aOwini está disponível para desempenhar essa tarefa e garantir o funcionamento permanente de todos os sistemas instalados.

Quais são as maiores dificuldades que a sua empresa tem encontrado na implementação dos novos sistemas de abastecimento de água?
Em projectos desta magnitude, sobretudo em zonas remotas, algumas delas de muito difícil acesso, são muitas as dificuldades a superar, sobretudo logísticas, técnicas e humanas, mas o mais importante é a forma como nós encaramos a sua participação no programa “Água Para Todos”. Ser uma parte activa e central de um projecto nacional tão importante como este é o que mais conta e, nesse sentido, todas as dificuldades são encaradas como desafios a superar.