A falta de uma Agência de atendimento do Banco de Poupança e Crédito (BPC), no município piscatório do Nzeto, província do Zaire, está a criar reacções negativas no seio da população e dos funcionários públicos ali residentes.

Problema idêntico vivem também os munícipes do Cuimba, Nóqui e Tomboco que são obrigados a deslocar-se, frequentemente à cidade de Mbanza Kongo, para o processamento dos seus ordenados (salários) domiciliados nesta instituição bancária.
No caso particular do Nzeto a inquietação dos funcionários públicos radica no facto de existir naquele município, uma infra-estrutura móvel, pré-fabricada adquirida pela sede do BPC desde Abril de 2012 e que até ao momento, aguarda por uma voz oficial para a sua abertura.
Contactado pelo JE, um dos responsáveis que se escudou ao anonimato explicou que a nova Agência bancária já conta com apetrechos em equipamentos, mobiliário e pessoal técnico.
“Os futuros trabalhadores da Agência do Nzeto recrutados em Fevereiro de 2013 receberam já formação na sede provincial do BPC, em Mbanza Kongo”, afirmou a fonte.
No município do Cuimba, o BPC construiu um balcão de raiz com todas as condições. Um litígio que envolve a entidade patronal e a proprietária do terreno onde foi erguida a infra-estrutura, condiciona até ao momento a sua abertura ao passo que no município fronteiriço do Nóqui, onde as reclamações são maiores, não existe qualquer estrutura do BPC.

O caso de Tomboco
No município do Tomboco, também foi construída uma infra-estrutura de raiz para funcionar o balcão do BPC. A obra concluída, aguarda por apetrechos para o seu arranque.
A unidade bancária do Nzeto conta com Caixa Automática (ATM), dispositivos de comunicações, além de uma residência mobilada para acomodar os técnicos. Desde então, uma empresa de segurança contratada pela sede presta serviços de guarnição nos dois estabelecimentos, para evitar actos de vandalismos.
Nkoko Marcos Francisco, 34 anos e professor cujo salário é domiciliado no BPC, disse fazer grande exercício para deslocar-se no final de cada mês ao município de Mbanza Kongo, que dista 120 quilómetros, para levantar o seu salário.
O interlocutor considerou ser um sacrifício atendendo ao baixo salário que aufere. “Imagine com o pouco que ganho ainda ter de gastar 6.000 mil kwanzas de táxi, (Ida e volta) adicionando a alimentação. Temos feito despesas acima da média, por imposição do percurso”, contestou.
O professor lembrou que o Nzeto é considerado vila satélite da província do Zaire, por ser a porta de entrada e saída de cada viajante. “Aconselhamos os dirigentes no sentido de procederem a abertura do Balcão do BPC no Nzeto, pela falta que faz a esta comunidade e aos seus visitantes”, disse.
Outra reclamação pertence a António José, agente da Polícia Nacional, destacado na Unidade Municipal do Nzeto, a escassos metros, onde foi instalada a dependência móvel do BPC, afirmou que sente muito pesar ao ver idosos aposentados e autoridades tradicionais a arriscarem suas vidas de táxi com destino a Mbanza Kongo para levantarem seus módicos subsídios.
“É triste vermos este balcão do BPC aqui no Nzeto inactivo há tantos anos, sem beneficiar a população. Muito já se especulou sobre a sua inauguração devido a ansiedade da população”, rematou.
Sobre o tema, o economista Sabino da Conceição, esclareceu que os bancos, como instituições vocacionadas na intermediação financeira, têm a função de facilitar a ligação entre os agentes económicos superavitários (poupadores) e os agentes deficitários (carentes de capital).
A abertura de dependências bancárias nos diferentes municípios do país afirma-se preponderante numa altura em que a estratégia da autoridade monetária (BNA) consiste na evolução da cultura financeira e aumento da taxa de bancarização da economia angolana.
Sabino da Conceição sublinhou que o objectivo fundamental consiste em aproximar cada vez mais as actividades bancária às localidades, de forma a aumentar o acesso das populações aos respectivos serviços oferecidos pelos bancos.

Inclusão é o tema da banca

O Banco Nacional de Angola fez saber este ano, que em 2018, o processo de educação financeira iniciado em 2010 atingiu mais de 550 mil pessoas, mas a introdução da educação financeira como plano curricular no primeiro e segundo ciclos do sistema de ensino em angola é um dos marcos que o banco central quer ver concrtetizado nos próximos tempos.
É opinião unânime de que a inclusão financeira da população passa pela expansão dos canais de acesso e destribuição dos produtos financeiros em todo o território nacional.
Um estudo do Banco Nacional de Angola realizado em 2017 revela que na dimensão de acesso geográfico existem 50 terminais de pagamento e dois caixas automáticos por 1.000 mil quilómetros quadrados. O estudo mostra que existe uma agência bancária por quilómetro quadrado.
O estudo do BNA apurou, no critério de avaliação do acesso, a existência de 221 terminais de pagamento automático, 11 caixas automáticas e seis agências bancárias para 100 mil pessoas. Estes rácios estão muito abaixo da demanda do mercado, o que faz parecer a banca um privilégio de poucos.