A dívida do Estado Angolano com os empresários nacionais soma, até ao momento, um total de quatrocentos mil milhões de kwanzas, segundo revelou o coordenador do Grupo Técnico de Apoio ao Credor do Estado (GTACE) do Ministério das Finanças, Carlos Vasconcelos.
As negociações, entre os empresários e o Governo, realizadas recentemente, conforme proposto pela confederação empresarial de Angola(CEA), terminaram mais uma vez com os nervos à flor da pele. Desde 2014, Angola enfrenta uma grave crise nas contas públicas, mas segundo Carlos Vasconcelos o Estado compromete-se a liquidar a dívida paulatinamente, por meio de títulos e em cash.
“Houve um processo de validação da dívida e o Governo tem estado a pagar as dívidas já validadas. Este ano os empresários vão continuar a receber os valores como tem sido feito nos últimos anos”, informou.
de acordo com o coordenador o pagamento será feito apenas aos empresários nacionais com dívidas certificadas, cujo exercício de funções está sob controlo da AGT.
Na estratégia de regularização dos pagamentos atrasados, o Ministério das Finanças afirma que “muitas empresas que reclamam dívidas do Estado, são simultaneamente devedoras de bancos públicos, pelo que será uma oportunidade para diminuir créditos malparados junto destes bancos, através do pagamento da dívida das empresas em contas domiciliadas nos mesmos.

Empresários insatisfeitos
Por sua vez o presidente da Confederação Empresarial de Angola (CEA), Francisco Viana, advertiu para o perigo do processo de pagamento da dívida pública interna vir a ser manchado por esquemas de corrupção no Ministério das Finanças.
“Registamos algumas queixas de empresários que afirmam ter recebido telefonemas no acto do pagamento da dívida, para negociar uma percentagem em benefício de funcionários envolvidos no processo”, informou.
Entretanto, o presidente da Confederação Empresarial de Angola, Francisco Viana, precisou que a falta de pagamento aos investidores causa inúmeros constrangimentos não podendo os mesmos continuar a desenvolver a sua actividade.
“Os empresários não honram os seus compromissos nacionais e internacionais, perdem credibilidade e o direito ao crédito. Por isso, o Estado como parceiro deve esforça-se ao máximo em liquidar a dívida para facilitar um maior equilíbrio e crescimento da economia nacional “, referiu.

Por apurar dívida verdadeira
Em Março deste ano, os empresários e a opinião pública nacional foi surpreendida com as revelações da secretária de Estado das Finanças e do Tesouro, Vera Daves, de que 25 por cento da dívida contraída internamente pelo Governo junto de prestadores de serviços é falsa, pois não foi acreditada pelos organismos responsáveis.
O facto, que já motivou a instauração de uma investigação por parte da Procuradoria Geral da República, também é razão de discórdia entre Governo e empresários, sendo que estes últimos alegam estar a ser feita uma manobra de distracção e desacreditação das reivindicações feitas.
A PGR garante que em breve vai emitir opinião sobre esta matéria, que considera grave e quando mais vindo da secretária de Estado.
Entre as verdades escondidas e as mentiradas declaradas, a verdade é que os empresários no encontro que mantiveram com o Grupo Técnico de Apoio ao Credor do Estado (GTACE) dizem-se agastados com as voltas que estão a ser dadas para a resolução.