Anota de 100 dólares nas ruas de Luanda está a ser comercializada a 58 mil kwanzas, contra os 52 mil cobrados na semana passada, registando assim uma variação de 10 por cento. Na ronda efectuada pelo JE em várias artérias de Luanda, constatou-se que a justificação da subida vertiginosa do dólar nos últimos meses está a ser também influenciada pela aproximação da quadra festiva, em que a procura pela moeda estrangeira tende a aumentar, não só pela aquisição da divisas por parte dos cidadãos estrangeiros que pretendem regressar à sua terra natal, mas também pelo aumento da importação de bens de consumo a época natalícia exige. Segundo apurou o JE das ‘kinguilas’ espalhadas pelas diversas artérias, uma nota de 100 euros chegou a custar mais de 65 mil kwanzas.

Mercado formal
No mercado formal, a realidade também não foge à regra, uma nota de 100 dólares custa aproximadamente 45 mil kwanzas, mais 15 mil kwanzas que no início do ano( Janeiro), tendo o kwanza depreciado 31,7 por cento face ao dólar. Desde o início de ano, o kwanza depreciou 29,8 por cento face ao euro, já que na última quinta feira (24), 1 euro valia 500,992 kwanzas.

Mesmo com todas as políticas monetárias implementadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), no intuito de diminuir a pressão sobre a moeda estrangeira, designadamente, a eliminação da venda de divisas directamente à empresas e aos cidadãos pelo BNA e a reposição dos níveis de liquidez em moeda estrangeira dos bancos comerciais, a verdade é que a falta de divisas para viagens e importação de bens ainda prevalece.
A escassez e o difícil acesso às divisas nos bancos faz com que cidadãos nacionais e estrangeiros voltem para o mercado paralelo para a aquisição das moedas.
Dentre outras medidas a ser implementadas pelo BNA consiste em remover a margem de 2 por cento sobre a taxa de câmbio de referência, praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos seus clientes.
O Banco Nacional de Angola adoptou na quarta-feira a medida de liberalização do mercado cambial, permitindo que a taxa de câmbio formal flutue livremente até encontrar um ponto de equilíbrio em relação ao mercado informal.
O governador do BNA, José de Lima Massano, falando em conferência de imprensa, referiu que a expectativa é que este ponto de equilíbrio ocorra até ao final do ano embora admita que poderá ocorrer aquilo que os economistas chamam de overshoot, que é uma variação, às vezes, para níveis incontroláveis.
Em Janeiro de 2018, altura em que começou a vigorar o novo regime de cambial flutuante, a compra de 100 euros na banca custava 18, 540 kwanzas, contra os actuais 50,099 kwanzas, representando uma depreciação de 62,9 por cento face ao euro.
O economista Fernando Vunge, afirmou que o processo de desvalorização da moeda nacional registada nos últimos anos, é resultante da queda do petróleo e a consequente redução significativa das RIL que já esteve nos 34 mil milhões de dólares, antes da crise, para
os actuais 10 mil milhões.