A exploração de recursos naturais como carvão e o gás ajudam a atingir as metas, numa altura em que os desafios centram-se na criação de mais postos de trabalho.

Há muitos anos que a África deixou de ser um simples parceiro comercial das grandes economias mundiais. Alguns países do continente situam- -se já entre os que contribuem para o crescimento económico mundial. É o caso dos quatro países lusófonos, que estão entre as primeiras 10 economias que terão um maior crescimento económico em 2013.

Segundo estimativas da Economist Intelligence Unit (EIU), organização especializada em economia global, baseada em Londres, tanto Angola, como Moçambique, são países ricos em recursos naturais e os investimentos neste sector têm vindo a crescer bastante nos últimos anos.

A Economist Intelligence Unit reconhece que Moçambique será uma das economias com um crescimento mais acelerado, principalmente por causa do sector da exploração do carvão. “A exploração de recursos naturais, e especialmente do carvão, são os principais motores do crescimento económico a curto prazo e, a médio prazo, diria que o gás natural vai ter um papel muito importante nesse crescimento”, disse Sebastien Marlier, econosmista e especialista em assuntos de África.

Assim, países como Angola, com ambicioso programa de gás natural, terão certamente uma grande contribuição no crescimento económico do continente. Economist Intelligence Unit assegura mesmo que o investimento no sector do gás vai começar provavelmente em 2013 e ajudará a apoiar o crescimento económico. Apesar disso, a carteira de exportações africanas continua a ser fortemente dominada pelas matérias-primas, pelo que o continente está dependente das flutuações dos preços internacionais. Uma situação que tem sido aliviada por outros sectores, também estes fortes actores no crescimento, entre os quais se destacam finanças, turismo, agricultura comercial, transportes, especialmente para apoiar a exportação de

recursos naturais.

Os investimentos no sector de serviços da África, o aproveitamento dos seus vastos recursos naturais e as sólidas políticas económicas dos governos nas duas últimas décadas impulsionaram a expansão da classe média no continente a um ritmo mais rápido do que o próprio crescimento populacional. “Os investimentos em sectores importantes como bancário, imobiliário, telecomunicações, tecnologias da informação, transporte e turismo fizeram crescer a classe média do continente”, explicou o pesquisador Lawrence Bategeka, do centro de estudos sobre políticas económicas, com sede no Uganda.

“A liberalização das economias africanas significou maior eficiência e um rápido crescimento do sector de serviços. O crescimento, impulsionado pelo sector privado, teve como consequência a ampliação da classe média do continente”, afirmou Bategeka. A classe média é considerada fundamental para o futuro de África, já que é crucial para o seu desenvolvimento económico e político.

Previsões para 2013

O FMI prevê um crescimento de 5,25 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB) na África Subsahariana em 2013, um índice inferior apenas ao das economias emergentes da Ásia, e bem superior à média mundial de 3,6 por cento. Contudo, aquela região é assim uma das que mais poderá crescer no continente.

De um modo geral, o crescimento económico para este ano é estimado em 4,8 por cento, contra os 4,5 de 2012, segundo o panorama económico africano, divulgado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Concebido pelo centro de desenvolvimento da organização para a cooperação e desenvolvimento económico do BAD, o relatório prevê que boa parte do crescimento será em países ricos em commodities, que têm assistido a um “boom” na exploração do petróleo, como Nigéria e Guiné Equatorial, ou em carvão e jazidas de gás natural, como Moçambique. Os resultados ainda não se traduziram numa melhoria geral do padrão de vida para a população jovem em franca expansão, o que ameaça a coesão social e a estabilidade política em países que não estão a solucionar os seus problemas de desemprego.

Para corrigir a situação, o relatório recomenda que esses países incentivem o crescimento veloz do sector privado, especialmente na economia informal e em empregos agrícolas, que ainda dominam muitos países de África.

Apesar do optimismo em torno do crescimento das economias africanas, o BAD apela a uma diversificação para permitir que o número de africanos entre 15 e 24 anos, que deverá dobrar até 2045, tenham o primeiro emprego. “Neste momento, até as principais economias africanas mostram poucos sinais de que estão preparadas para gerar empregos para essa juventude”, reconhece o relatório.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o desemprego em muitos países africanos chega a 20 por cento. Na África do Sul, a maior economia do continente, o desemprego é de 25,2 por cento. E é ainda pior para os jovens — 60 por cento da população economicamente activa e desempregada de África tem menos de 24 anos.

“O continente está a viver um crescimento sem geração de emprego”, disse o economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento, Mthuli Ncube. “É uma realidade inaceitável num continente com uma oferta tão impressionante de jovens talentosos e criativos”.

A agenda dos grandes

Angola e África do Sul posicionam-se como as maiores economias do continente, com trocas comerciais entre si que rondam os mil milhões de dólares. Apesar do peso que ambos representam para África e a sua eventual liderança económica, Angola e África do Sul tentam manter uma cooperação bilateral vantajosa.

Contudo, para reforçá-la, o Chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, é aguardado hoje, em Luanda, para uma visita de trabalho de algumas horas ao país, durante a qual vai abordar com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, o nível de cooperação entre os dois países.

Segundo o embaixador da África do Sul em Angola, Godfrey Nhlanhla Ngwenya, durante a visita, Jacob Zuma deverá abordar com o Presidente angolano, questões ligadas ao desenvolvimento económico entre os dois países, assim como rever a implementação dos vários acordos rubricados nos mais diversos domínios.

“Sabe-se bem que África do Sul precisa de Angola, e Angola precisa da África do Sul, então vê-se bem que a economia angolana está a crescer, e futuramente, também espera--se que Angola, seja um país economicamente forte”, disse o diplomata.

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