Os mercados mundiais viveram um dia de grande tensão na segunda-feira (9), resultado da queda brusca nos preços do petróleo. A causa da turbulência neste dia de tensão generalizada nos mercados globais foi uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, dois dos maiores produtores de petróleo do mundo.
O barril do petróleo Brent caiu 24,10%, a usd 34,6. Já o barril do petróleo WTI registou baixa de 24,6%, a usd 31,13.
Na sexta-feira (6), o preço internacional da commoditie já havia caído 10%, um recorde negativo em um período
de mais de um ano.
Para tentar conter essa queda, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sugeriu, na sexta-feira (6), diminuir a produção, estabilizando os preços da commodity. Mas a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, condicionou o corte à colaboração da Rússia (que não faz parte da Opep, mas é – ou ao menos era – aliada do grupo).
A Rússia, por sua vez, foi contra a medida, o que fez a Arábia Saudita reagir neste domingo (9), ao anunciar uma redução no preço de venda e um aumento na produção a partir de Abril. Com o anúncio, os preços desabaram.
Os preços do petróleo subiam na terça-feira, tendo chegado a saltar cerca de 10%, um dia após terem registado a maior queda em quase 30 anos, com investidores a inclinaram-se para possíveis estímulos económicos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na segunda-feira que tomará importantes medidas para proteger a economia dos EUA contra impactos da disseminação do coronavírus, enquanto o governo do Japão planeia gastar mais de 4 bilhões de dólares num segundo pacote de
acções para lidar com o vírus.
Os especialistas consideram que não é a primeira em vez que isso acontece no mercado de óleo, que é muito cíclico e sensível a esses eventos globais, como guerra, pestes e o coronavírus. Dizem que tudo que afecta profundamente a população e as economias mundiais, o petróleo reage muito rápido, tanto para cima quanto para baixo. E, desta vez, foi a queda.

Incertezas


Entra-se agora para uma fase de incertezas no mercado mundial, sobretudo, no sector de hidrocarbonetos. Há muitas expectativas se o preço baixa ou sobe. Tudo está a depender do estágio da epidemia de coronavírus e da retomada da economia mundial ou ainda de um acordo entre os produtores.
A queda do preço internacional do petróleo tem efeitos sobre o mundo todo. Além do primeiro impacto, de desestabilização das bolsas de valores pelo globo, o movimento pode ter efeitos duradouros no mercado de energia se os níveis baixos do preço do petróleo forem mantidos.