Alguns cidadãos mostram-se cépticos com os resultados do Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA) 2018-2019, que está a ser realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) desde o dia 5 deste mês em todas as províncias.
Os interlocutores ouvidos pela reportagem do JE, em Luanda, são unânimes em afirmar que não basta inquéritos, mas sim “atacar” os problemas da população na base e de forma incisiva.
A iniciativa do INE prevê abranger 12.500 agregados familiares e vai decorrer em 12 meses. A intenção é realizar este acto de cinco em cinco anos, uma vez que a instituição entende ser fundamental que se actualize a taxa de pobreza que em 2008/2009 situava-se nos 36 por cento.
Em relação a taxa de desemprego, em 2015-2016 situou-se em 20 por cento. O grupo etário era dos 19 e 29 anos, mas que tende a subir até aos 35 anos. De acordo com o INE, pretende-se com isso medir, igualmente, a taxa de sub-emprego.

Medidas urgentes
Nesta perspectiva, o docente universitário Ilonka Costa considera que se o público-alvo são os funcionários públicos não faz sentido. “Os salários dos cidadãos são conhecidos e o custo de vida também”.
O também cientista político acredita que qualquer estudo de natureza económica é sempre importante, pois permite ter-se dados palpáveis da realidade socio-económica das famílias, no sentido de se tomarem medidas apropriadas.
“Espero que de facto este exercício do INE venha ajudar o Estado nas suas decisões, de modo a reduzir os impactos negativos que se assistem no dia-a-d++ia das famílias”, disse.
Para o jovem Ulysses Sansão, por mais que se realizem inquéritos nada vai mudar. “Em Angola, toda gente sabe onde deve-se melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.
Acrescentou que há na verdade falta de vontade política dos governantes. Realça ainda que o censo realizado em 2014 não foi assim tão acertivo, porque devia ter em conta aspectos como receitas, despesas e emprego.
Já o funcionário público Diogo Lemos explica que no Índice do Progresso Social, que avalia os países, segundo a qualidade de vida da população, através de variáveis como o acesso a água potável, habitação, saúde e educação, Angola está na lista dos piores do mundo.
“Logo, é bom que se deêm passos para invertermos o quadro, e isso passa, necessariamente, em realizar-se inquéritos rigorosos sobre o que as pessoas ganham e gastam”, atira.
Na sua visão não se pode assistir a subida constante de preços, sobretudo os da cesta básica a julgar que muitos cidadãos estão sem emprego.
Diogo Lemos defende que o inquérito deveria ter sido feito muito antes o que possibilitaria ao executivo atestar sobre a real situação, numa altura em que as despesas superam as receitas e a taxa de desemprego ser elevada.
Por outro lado, Olgário Marcos é de opinião de que esta acção não passa de mais um inquérto como outro qualquer. No fundo as pessoas vão continuar sem emprego para gerar receitas e com despesas cada vez maior em função do actual momento de crise.
“Precisamos de políticas mais realistas e justas”, concluiu.