Empresários angolanos ligados aos sectores da agricultura, comércio e indústria estão encorajados em estabelecer parcerias com os seus homólogos da Itália, sobretudo da região de Marche, uma localidade potencialmente agrícola e industrial, que fica a 400 quilómetros no extremo centro da cidade de Roma.

Os homens de negócios deslocaram-se àquela zona da Itália com o propósito de busca de novas tecnologias e “know-how” para impulsionar os seus projectos empresariais.

Os angolanos estão interessados na aquisição de equipamentos agrícolas, como tractores, empilhadores e bombas de rega. Assim, muitos conseguiram algum entendimento com a classe empresarial dos municípios que compõem a região de Marche, nomeadamente Ancona (cidade), Macerata, Pesaro, Urbino, Fermo e Ascoli Piceno.

Na região, estão implantadas várias unidades industriais, com destaque para fábricas de transformação de alimentos, calçado, vestuário, cimento, unidades de fabrico de barcos, e ainda fazendas que produzem biogás.

Um dos integrantes da missão da Associação Industrial Angolana àquele país, Afonso Hossi, ficou encantado pelo que viu, sobretudo com uma fazenda agro-pecuária, que usa tecnologia para a produção de biogás. O empresário quer aplicar esta técnica no seu empreendimento agrícola na província do Huambo, denominado “Mucakava”.

Afonso Hossi esteve também a representar na Itália a cooperativa Vale do Keve e a Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA) no Huambo.

“Temos que trabalhar fortemente na agricultura mecanizada e não na artesanal ou marginal”, afirmou o empresário, para quem Angola deve procurar sempre mercados avançados para buscar novas tecnologias a serem aplicadas no cultivo dos campos.

A exemplo dos demais empresários, Afonso Hossi foi à Itália à procura de novas parcerias na área industrial, sobretudo na busca de acordos mútuos com os italianos no sentido de fornecimento de equipamentos.

“Os empresários da região de Marche estão dispostos em fazer parcerias com os angolanos”, adiantou.

A empresa Afonso Hossi & Filhos Lda já possui convénios com firmas portuguesas e brasileiras que fornecem máquinas e equipamentos de lavoura. Independentemente disso, a sua empresa está a pesquisar o melhor mercado com vista à criação de bases para manter uma cooperação firme e consolidada.

A fazenda Mucakava, com 2.520 hectares, está a desenvolver culturas de cereais, couve e soja. Financiado pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), o projecto produz alimentos desde 2004.

Para este ano, a empresa vai ampliar a área de cultivo para a implantação de novas fábricas de apoio ao empreendimento agrícola. Além da agricultura, Afonso Hossi & Filhos Lda aposta na pecuária, silvicultura, criação de aves, transportes, limpeza e higiene, e na reparação de infra-estruturas rodoviárias.

Com mais de 300 trabalhadores, a firma de Afonso Hossi vai investir também no Kuando-Kubango e Moxico, onde existem já áreas identificadas. No curto e médio prazo, a empresa perspectiva intensificar a actividade agro-pecuária e do turismo.

Novos mercados

Além de Afonso Hossi, o empresário Luís Sampaio, sócio da firma LS Lda, considera a região de Marche propícia para o estreitamento comercial e empresarial. Durante a visita de constatação às fábricas da região, o empresário interessou-se nos equipamentos de cozinha e de mobiliários, quer para residências, quer para empresas ou escritórios.

A sua empresa actua no sector agro-pecuário, da hotelaria e turismo e construção civil na província do Huambo. Por isso, o seu interesse na Itália consistiu na procura de equipamentos para agro-pecuária e para a área da hotelaria e turismo.

Para sustentar o seu projecto agro-pecuário, a sua empresa recorre à África do Sul e Namíbia para a aquisição de muda e gado melhorado.

Empresários de Marche visitam Angola entre Setembro e Outubro

A Confindustria-Associação Industrial da região de Marche está a analisar a proposta apresentada pela Associação Industrial de Angola (AIA), para visitar Angola com o objectivo de concretizar as parcerias entre a classe dos dois países.

A visita poderá ser realizada em Setembro ou Outubro deste ano, assim que houver a mobilização dos empresários da região que vão tomar parte da missão a Angola. Além de Luanda, os empresários poderão visitar as províncias do Huambo e Benguela.

O presidente da Mesa da Assembleia Geral da AIA, Joaquim de Almeida, que chefiou a delegação à Itália, considera a visita uma forma de reciprocidade, e que vai ajudar na consolidação da parceria.

“Nós queremos que eles visitem o país para também avaliarem a nossa realidade económica, para posteriores acordos mútuos”, afirmou.

O industrial angolano avançou ainda que Angola precisa de tecnologia e “know-how”, pois os italianos são fortes na área da agricultura e indústria.

Em função da constatação dos projectos agro-industriais de Marche, a AIA irá seleccionar também as empresas que poderão fazer parte quando for realizada uma bolsa de negócios com os empresários daquela região da Itália.

“Nós desconhecíamos e ficamos todos admirados pela industrialização das pequenas e médias empresas familiares que constituem essa zona da Itália”, disse.

Para Joaquim de Almeida, os empresários angolanos aprenderam como se constituir uma cooperativa agrícola, além de se inteirarem de como são fabricadas os móveis e o uso dos instrumentos do gado para produção de energia. O responsável da AIA disse que houve grande interesse da parte dos angolanos na aquisição de equipamentos para metalo-mecânicas, na área da produção de leite e da madeira.

“Nós demos a conhecer aos italianos as possíveis áreas para investimento”, afirmou.

Além de ser o presidente da Mesa da Assembleia Geral da AIA, Joaquim Almeida é sócio-gerente da Only Industrial Angola Lda. Esta empresa tem a vocação de fabricar roupa exterior e fardamento de trabalho.

Para Natália Conesta, presidente do Centro Educativo de Marche (CEM), que co-organizou a missão de empresários angolanos àquela região, Angola está a desenvolver bastante em termos de economia, pelo que será necessário haver maior investimento nos sectores fora do petróleo.

Na sua óptica, as parcerias estrangeiras ajudarão a desenvolver os sectores não minerais da economia, e a meta traçada pelo Governo angolano em diversificação da economia, será alcançada.

Natalia Conesta diz que Angola poderia aproveitar a oportunidade de seguir o exemplo da região, onde as empresas pequenas e médias empresas familiares sustentam os sectores industrial e agrícola da região de Marche.

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