As reformas económicas adoptadas pelo Executivo angolano e que têm o cunho do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) foram razões de sobra para garantir uma nova e bem sucedida emissão de Eurobonds do Governo. De acordo com o economista Carlos Rosado de carvalho, o facto de a nova captação de financiamento de três mil milhões de dólares ocorrer com baixa de juros, comparativamente às anteriores, demonstra um capital de confiança dos investidores ao país. Carlos Rosado disse mesmo que embora ainda as operações decorram sob taxas altas, ter baixado já é sinal de que o Governo começa a ter margens para negociar.

Investidores
Conforme fez publicar o Ministério das Finanças, a comunidade de investidores expressou, claramente, a sua confiança na abrangência, velocidade e profundidade das reformas institucionais e económicas que estão a ser implementadas pelo Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço, tendo a procura atingido o valor máximo de 8,44 mil milhões de dólares.
“A emissão ocorre em cumprimento ao Despacho Presidencial e captou 3 mil milhões de dólares dos Estados Unidos, tendo dividido a transacção em duas tranches, reduzindo as taxas de juro em 25 pp para todas as maturidades”, lê-se no documento do Ministério das Finanças.
Os dados adiantam que uma parcela com maturidade de 10 anos, no valor nominal de 1,75 mil milhões de dólares americanos, teve uma taxa de juros do cupão fixada em 8,00 por cento. Outra parcela com maturidade de 30 anos, com um valor nominal de 1,25 mil milhões de dólares americanos, com uma taxa de juros do cupão fixada em 9,125 por cento.

Desempenho da Bodiva
No que refere ao desempenho da Bolsa de Dívida e valores de Angola (Bodiva), a ministra das Finanças exortou esta semana à Comissão de Mercado de Capitais (CMC) para que continue a perseguir a excelência no desempenho do seu papel, de modo a assegurar a protecção dos investidores, a sã concorrência, bem como a prevenção do risco sistémico, com vista à solidificação da confiança no sistema financeiro nacional.
Ao pronunciar-se durante a cerimónia de abertura da III Edição do Fórum do Mercado de Capitais, Vera Daves de Sousa disse, igualmente, ser fundamental que a Bodiva e todos os membros do Mercado se tornem cada vez mais atractivos para os emitentes e investidores, proporcionando-lhes, com inovação e segurança, os negócios adequados à nossa realidade.
“As circunstâncias em que se realiza este Fórum são caracterizadas por inúmeros desafios, que passam pela prossecução – e em alguns casos pela activação – das medidas definidas pelo Executivo para reverter o ciclo recessivo da nossa economia e para consolidar, de forma perene, as Finanças Públicas”, disse.
Vera Daves assegurou, por outro lado, fez um link com o início das discussões da proposta do Orçamento Geral do Estado para o ano de 2020, “na medida em que essas premissas conformam, também, o rumo que se pretende dar à economia, à actividade empresarial e ao bem-estar das famílias”.
Disse que no domínio da consolidação fiscal e fortalecimento da gestão das finanças públicas e administração tributária, aflorou, o OGE 2020 aprofunda as medidas para melhorar a qualidade da despesa e potenciar a receita, com harmonização, justiça e eficiência fiscal.