Os executivos financeiros das grandes empresas e do sector financeiro estão optimistas quanto ao crescimento das receitas, mas mostram-se preocupados com a incerteza do mercado e com o seu impacto nas capacidades de planear e gerir o desempenho do negócio, diz um estudo global da Accenture.

De acordo com o estudo, 61 por cento dos inquiridos prevêem um crescimento anual de receitas igual ou superior a cinco por cento até 2015, e um quarto espera um incremento de pelo menos 10 por cento. Neste estudo, a Accenture inquiriu 1.250 executivos da área financeira, dos quais 24 por cento são CFO, em nove grandes economias.

Quase metade (45 por cento) afirmou estar mais optimista face às perspectivas de crescimento das suas empresas este ano face ao ano passado, 28 esperam que o crescimento estabilize e 27 assumem-se menos optimistas face às perspectivas de 2012.
No entanto, verificaram-se diferenças de país para país.

O optimismo é maior no Brasil e na Índia. Os executivos no Reino Unido mostraram-se menos optimistas este ano face ao ano passado.

Independentemente de terem uma visão geral mais optimista, os executivos financeiros dizem que a incerteza económica, os preços dos bens, a volatilidade e a mudança das expectativas dos clientes estão a ter um grande impacto na sua capacidade de prever o desempenho dos negócios. E, de acordo com 82 por cento dos executivos financeiros, têm acesso a apenas metade ou menos da informação de que necessitam para fazer essa previsão do desempenho dos seus negócios.

“Muito embora os CFO tenham expressado optimismo quanto às perspectivas de crescimento, é minimizado pelas suas incapacidades preditivas face ao desempenho, sobretudo tendo em conta a economia e outros drivers de mercado que têm as suas consequências”, referiu Don Schulman, director da Accenture, responsável global pela área de Finance & Enterprise Performance.

“Mas, como arquitectos desse crescimento, os CFO procuram optimizar e flexibilizar o timing de transformação do negócio. Todas as empresas podem beneficiar do facto de os CFO disponibilizarem dados em tempo adequado, melhorando os processos de tomada de decisão num ambiente de incerteza”, lê-se.

Baixar custos
À medida que os executivos planeiam quais devem ser os seus investimentos de funções financeiras num prazo de dois ou três anos, a sua prioridade principal passa por baixar os custos e melhorar a sua produtividade. Note-se, especificamente, os 64 por cento de executivos financeiros que referem a intenção de investir em conhecimento ou sistemas de suporte ao planeamento, à orçamentação e à criação de previsões.

Um total de 37 por cento procura melhorar a visibilidade das receitas e despesas e 35 por cento vai investir em sistemas de suporte à área de business analytics. Quando questionados sobre o que fariam com o capital, menos de um em cada quatro executivos inquiridos (23 por cento) disse que o ia reservar.

Os executivos mostraram-se propensos, em parte, o reinvestimento do dinheiro no negócio e/ou em financiamento de aquisições (79 por cento). De facto, 60 por cento dos executivos disseram que o principal driver de crescimento da empresa este ano devia ser uma combinação de crescimento orgânico e/ou inorgânico.

Apesar de existirem empresas que conservam o seu capital, os executivos financeiros consultados neste estudo compreendem as desvantagens de o fazer.

Os riscos de reserva do capital identificados com maior frequência pelos inquiridos são a limitação na inovação e no desenvolvimento de novos produtos (52 por cento) e as restrições no aproveitamento das oportunidades de crescimento (49 por cento).

Os executivos financeiros dizem ainda que, ao não aplicarem o dinheiro, as empresas arriscam-se a não conseguir expandir a sua quota de mercado (46 por cento), a expansão geográfica (42 por cento) e entrada em novos mercados (40 por cento).

“Os CFO, tendo em vista o crescimento, sabem dar valor à ponderação no que respeita ao investimento inteligente do capital, mas necessitam de uma mais abrangente e desobstruída capacidade de análise da sua empresa, para usarem com confiança os recursos à sua disposição”, referiu o executivo da Accenture.

“Dados os elevados níveis de reservas de capital nas empresas, verificados nos últimos anos e em muitos mercados em todo o mundo, é óbvio que os CFO que têm acesso a informação fiável vão estar em melhor posição para usar esses fundos com maior eficácia e gerarem maiores retornos sobre o investimento”.

Conforme publicação do Jornal de Angola, o país está entre as quatro economias que mais promoveram o crescimento do continente africano no período de 2007 a 2011, de acordo com um estudo da empresa “Accenture”, a que o Jornal de Angola teve acesso. Intitulado “Triângulo estratégico América Latina-Europa-

-África: realidade e potencial de expansão”, o estudo analisou 57 países africanos e concluiu que países como Angola, África do Sul, Egipto e Nigéria contribuíram com 58 por cento para o crescimento económico do continente.