Diariamente, os clientes são confrontados nos supermercados, lojas, padarias, mercados, táxis e noutros espaços de venda ou de prestação de serviços, com situações de falta de troco após o pagamento de um produto ou serviço.
Segundo constatou o JE, muitas vezes vêem-se privados de levar para casa certo bem ou serviço porque o funcionário do estabelecimento alega antes de tudo falta de troco para dar. “Isto acontece quase sempre quando apanhamos táxi. Estes, normalmente, perguntam se temos dinheiro trocado, como notas de 100 e 50 kwanzas, e quando não as temos não nos transportam”, afirma Catarina Uimbo, vendedora do mercado de Shomucuio.
Muitos comerciantes optam por dar rebuçados como troco ou mandam passar num outro período do dia para receber o devido. A prática é muito mais recorrente nos supermercados, onde normalmente os trocos de 40, 30 ou 20 kwanzas acabam por ficar com o vendedor.
Segundo Januário Paulo, proprietário de uma cantina no bairro Cafitu, várias vezes recorreu a alguns bancos comerciais da cidade de Ondjiva para obter notas de menor valor e moedas metálicas para facilitar na cedência de trocos aos clientes, mas sem sucesso, uma vez dizerem sempre estarem em falta delas.
Disse que quando os bancos cedem, grande parte dessas notas de 50 ou de 100 apresentam-se deterioradas, cujo manuseio requer muito cuidado, já que o risco de esta dividir-se ao meio é sempre maior. Para piorar ainda mais a situação, os multicaixas estão a pagar, ultimamente, em notas de 5.000 e de 2.000 kwanzas, em detrimento das notas de menor valor, como de 500 e 1.000. Já as menores como a de 200 há muito deixaram de sair nestes aparelhos de transacção financeira, assim como deixaram de ser vistas nas mãos das pessoas.
A província ainda não tem representação do Banco Nacional de Angola, o que atrapalha de certa forma a actividade bancária local, uma vez que é ali onde deviam, com mais rapidez, recorrer para a busca de notas de menor valor facial e de moedas metálicas.