A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou, em Luanda, durante alguns dias, os níveis de recuperação da economia nacional face ao impacto da queda do preço do petróleo nas contas nacionais.


Liderada por Ricardo Velloso, economista sénior e chefe da missão para Angola, a delegação reuniu com a equipa económica, face à preocupação de actualizar-se sobre o desenvolvimento recente da execução da política económica
e as suas perspectivas.

O FMI pretende acompanhar, de forma sequencial, o forte impacto da baixa de preços das principais matérias-primas de exportação e as restrições nos mercados financeiros, com implicações sobre as economias menos resilientes.

A delegação, segundo Ricardo Velloso, procurou colher o máximo possível de informações sobre os acontecimentos em Angola, particularmente com a baixa do petróleo, tendo-se inteirado junto das autoridades sobre as estratégias para a saída da crise petrolífera.
O economista sénior e chefe da missão do FMI para Angola adianta que, face à situação vigente, Angola deverá apostar mais na diversificação económica para não ficar dependente de um único produto de exportação e assim aumentar as fontes de receitas.

A missão manteve, igualmente, encontros de trabalho com as principais instituições que concorrem para a gestão da política económica. Nestes encontros, participaram também os ministérios dos Petróleos, da Agricultura e da Construção. Foram também realizados encontros com o sector empresarial público e privado, além de organismos da sociedade civil.

Situação económica
Sobre o quadro actual da economia global, caracterizado pelo choque nos preços das matérias-primas de exportação e pelo ambiente de um baixo nível de crescimento económico, assim como o espectro de nervosismo nos mercados financeiros, a missão constatou a evolução da situação angolana.

“É neste contexto que o Executivo continua engajado, para adoptar as medidas de remediação necessárias, todavia, considerando a crise como uma oportunidade para proceder a correcções estruturais que permitam num futuro próximo elevar o nível de resiliência da economia perante choques externos”, lê-se numa nota publicada no fim da reunião com a equipa económica do Governo.

O director de Estudos e Relações Internacionais do Ministério das Finanças, João Boa Quipipa, disse, a propósito, que Angola está a efectuar reformas significativas no ajustamento da despesa para melhorar a sua qualidade. Do lado das receitas, lembrou, são visíveis os ajustamentos dos preços dos combustíveis e da energia e águas.

A presença da missão do FMI, em Luanda, foi uma excelente ocasião para que as autoridades pudessem manifestar às instituições de Bretton Woods aquilo que tem sido implementado como resposta à crise. O Executivo angolano empreendeu uma série de medidas macroeconómicas com as quais tem sido possível dar resposta aos desafios que o momento actual impõe como mecanismo de atenuação dos choques externos.