Ser banqueiro (dono de banco) em Angola já não é só questão de prestígio social ou financeiro. Passou mesmo a ser uma mostra de capacidade económica e vontade de empreender num dos mercados mais difíceis de investir, apesar dos altos lucros que pode proporcionar.
Depois de o Banco Nacional de Angola ter regulamentado em 7,5 mil milhões de kwanzas o capital social mínimo e os fundos regulamentares para a abertura de um banco, a porta mais visível nestes dias é a das fusões (junção de dois bancos em um) e de aquisições (compra de um banco por outro).
A aquisição do Banco Angolano de Investimentos (BAI) feita ao antigo Novo Banco(NB), que fez alterar a sigla e a designação para BAI Micro Finanças (BMF) apresentou-se como um sinal. Tal negócio em 2009 custou ao BAI só 4,5 milhões de dólares. Comprou 85,7 por cento do capital e o restante ficou com a Chevron.
A consultora de serviços financeiros e auditoria KPMG, nos seus tradicionais estudos de análise da banca angolana havia já sinalizado não existir mercado para albergar os 29 bancos que estavam licenciados até finais de 2017.
Apesar de todos reconhecerem a margem de crescimento do negócio face à exclusão ao sistema de ainda um bom par de potenciais clientes (aquelas pessoas em idade economicamente activa), os bancos teriam mesmo de começar a estudar a possibilidade de fundirem-se ou os menores serem comprados pelos maiores.
Em 2017, veio a concretizar-se as especulações de fusão entre o Banco Millennium de Angola (BMA) e o Banco Privado Atlântico (BPA). Disso resultou o Banco Millennium Atlântico (BMA), mas com a designação comercial mais usada de Atlântico. Os dois em um passaram deste modo, a ocupar a posição número dois da banca comercial com capitais próprios superiores a 800 milhões de dólares, uma rede de 150 pontos de atendimento, dois mil colaboradores e 800.000 clientes.
Agora que estão mais avançadas as negociações para a fusão do BNI com o Finibanco, também não se querem calar as vozes que prevêem uma fusão entre o BFA e o BIC, uma possibilidade reiteradas vezes negada por Fernando Teles, o pca do BIC. Só que a acontecer, segundo dizem, surgiria desta hipótese o maior banco de Angola em todas as variáveis, uma posição ainda de domínio do BAI e noutros aspectos pelo BPC, um dos dois bancos de capitais públicos, a par do BCI.
Quem também negou, recentemente, para já a possibilidade de fusão foi o bancário Generoso de Almeida, o pca do Banco Valor.
Os especialistas nacionais e internacionais em banca e finanças mantêm a lupa e têm certeza que novas fusões deverão ocorrer até 2022.