Os ganhos da Independência para os angolanos, ao longo dos 44 anos, continuam a ser encarados como resultados do trabalho abnegado de gerações diferentes.
Populares ouvidos consideram o 11 de Novembro um marco para a afirmação nacional e ponto de partida para a construção de uma sociedade próspera e de igualdade.
O auditor Carlos Nelo defende que os ganhos da independência nacional podem ser vistos no facto de no passado ter-se um acesso à educação limitado e também perderem-se muitas fábricas e grandes indústrias que davam emprego aos angolanos.
“Com estes novos tempos, temos que fazer uma maior aposta na educação, na agricultura e na saúde, porque todo crescimento de qualquer país depende destes canais. E não devemos esquecer a juventude. O executivo já está a fazer o seu papel em resolver a situação das estradas, isto para incentivar os médios e grande produtores, para deixarmos de importar o que nós podemos produzir localmente”, disse.
Carlos Nelo quer que se aposte no turismo e não só, para ter-se um crescimento económico e deixar-se a letargia de depender do Estado. De igual modo, considera, que com a colaboração de países como Cuba, URSS e outros do Leste europeu, foram formadas várias gerações de jovens angolanos nos níveis médio e superior.
Samuel Paulo, antropólogo, afirmou que o período de confusão fez com que muitos partissem para Portugal, mas que já é passado. Entre os ganhos da independência, em primeiro, considera o sentimento de estar-se livre do jugo colonial e também o crescimento do angolano na vertente intelectual. Quanto a economia, entende que se trouxe novos desafios ao país, e que ganhos são constatados todos dias em várias indústrias transformadoras.
“O país tornou-se aberto ao mundo e começou a receber novas tecnologias para os desafios futuros. Todavia, sente-se o aumento da investigação, mas precisamos, na verdade, tornarmo-nos mais independentes e baixarmos as importações de bens e serviços que se faz em larga escala”, disse.
Já Eliel Ferreira, estudante universitário, afirmou ter o país enfrentado inúmeros desafios, os quais ultrapassou de forma sábia. Também entende que se deve fortalecer as estruturas de governaçãon e aproveitar cada experiência valida destes anos de independência.
“Embora possamos afirmar que o presente é o resultado de todos os acontecimentos e o futuro a conjugação destas acções, ganhamos o impulso para uma revitalização económica, e optamos, para o efeito, por um modelo económico situado entre a economia de planificação centralizada e a economia de mercado”, defende.
Pare ele, a crise mostra-nos, sobretudo, a fragilidade das bases em que Angola assentou o seu crescimento, não tendo aproveitado o bom momento da economia angolana para investir na sua diversificação e na valorização de sectores como a agricultura e pescas, e na criação de melhores condições, tendo em vista a atracção de investimento estrangeiro.
Por seu turno o jurista Belmiro dos Santos diz que com a independência o Estado conseguiu implementar as suas próprias políticas e ideias para que o país siga o seu próprio rumo sem a intervenção de outros. Para ele, de certa forma ouve benefícios na estabilização em vários domínios político, social e económico.
“No contexto actual e numa era mais globalizada, a intenção é de manter-se estável, embora atravessamos grandes dificuldades sócioeconómicas. A intenção do Estado é manter intacta as suas políticas para que consigamos inverter o quadro actual. Só com independência um país consegue dar passos positivos sem que haja interferências”, afirma.
Edivaldo Diogo, outro estudante universitário, entende que estaria a mentir-se a si mesmo e aos outros, caso dissesse que a economia actual mostra crescimento estrutural, pois tal cenário não se observa em algumas zonas do país.
Por essa razão, entende ser necessário que se faça aposta séria na agricultura para acabar-se com a alta das importações.
“Temos hoje uma dívida externa elevada e má gestão dos recursos públicos”, desabafa.
Para Aldenir de Almeida, também estudante, nos últimos 44 anos, concretamente na década de 70 ainda houve estabilidade económica. “A nossa produção agrícola, sobretudo, do café e do algodão atingiu o seu pico e davam o sustento à economia nacional.
“Depois de sucessivos anos de guerra, a produção nacional decaiu e não satisfaz as necessidades alimentares da população. Tivemos que recorrer ao petróleo que deu rápido retorno (financeiro) e trouxe um certo alívio à economia, mas tal opção tem se mostrado instável”, descreve.
De acordo com Aldenir de Almeida, nos anos seguintes houve um forte crescimento económico atrelado à produção de petróleo, mas esse crescimento, segundo cita, não foi acompanhado com o desenvolvimento económico.
“Houve muitos ganhos económicos com a Independência, mas também muitos desvios, sobretudo, a corrupção e não se criaram políticas de diversificação da economia, concentrando-se apenas as atenções no petróleo. Tal posição deu fracos resultados e travou o ressurgir da agricultura e a industrialização.
O professor de gestão Altino da Silva, na sua óptica, ao longo desses 44 anos foram alcançados os principais objectivos da independência nacional, com destaque para a soberania e a auto determinação do povo.
“Hoje é um orgulho verificar-se que a maioria dos médicos nos nossos hospitais e clínicas são angolanos. Ampliamos a malha rodoviária, reabilitamos e construímos aeroportos em todas as províncias; os portos foram melhorados; nunca se construiu tantas escolas como agora, além de outras infra-estruturas habitacionais e industriais”, precisou.
Já o estudante Dumilde Bunga entende que os 44 anos de independência reflectem muitos ganhos para o país, relativamente no aumento da produção nacional que é vista em diversos sectores económicos e com consequência no alargamento das áreas de cultivo e no fomento industrial.