A maioria dos operadores do sector de retalho em Angola reclama, vezes sem conta, de adquirir os produtos nacionais a preços de longe superiores ao custo final dos bens importados.
Este cenário, além de ser contra a política de promoção do “Feito em Angola” que se pretende maximizar é também um factor impeditivo ao maior consumo de bens locais e, logo, à promoção de geração de cadeias produtivas funcionais e de mais postos de trabalho.
Com as devidas ressalvas, o JE soube de fontes que lidam com a aquisição de bens essenciais para os supermercados que a incapacidade de o projecto Biocom garantir açúcar nas quantidades de consumo nacional estão na base da tendência de oscilação para cima que se assiste semanalmente nos preços. Também o mesmo quadro é visto na fuba de milho, que tem oscilado em mais de dois mil kwanzas na aquisição do saco de 50 quilogramas junto de fornecedores locais. Este facto incentiva as vezes ao recurso a importação que chega a ser menos onerosa.
“Obviamente quanto mais desenvolvermos a produção nacional (seja na agricultura, indústria,nos recursos marítimos, nomeadamente pescas e em serviços aqui o turismo pode e deve ter um papel fundamental) mais capacidade teremos para melhorarmos a economia e esta, por sua vez, gera mais empregos. Logo, irá melhorar, substancialmente, a vida económica e social das comunidades”, defendeu a nossa fonte.
Segundo ele, os clientes já começam a olhar com carinho o “Feito em Angola”, mas tem de se trabalhar muito para poder-se ultrapassar os importados.
Como se não bastasse, no entender dos distribuidores, há ainda entre os constragimentos no acesso a estes produtos são as rupturas constantes por parte dos fabricantes ou produtores.
Além de constatar nos dias 4 a 8 as ofertas dos bens nacionais, durante e Feira Alimentícia de Angola, que decorre na ZEE, a equipa do Hora das Compras está também comprometida em ir ouvir os grandes, médios e pequenos produtores que fornecem as cadeias de supermercados sobre as reclamações e suas capacidades de oferta.

os produtos que mais pesam no bolso do consumidor

PEIXE CORVINA é ainda no levantamento semanal do HC dos produtos que mais pesa no orçamento do consumidor. Presente nuns e ausente noutros, o quilograma de peixe corvina custa entre dois e três mil kwanzas. Apesar do extenso mar e das riquezas que encerra, as praias do Sangano, Buraco, Cabo Ledo, Barra do Dande, Praia Amélia ou tia Mabunda ainda dão com timidez o peixe que se procura.

BATATA RENA reserva para si, juntamente com a cebola e o peixe, o título de ser dos produtos mais caros, em relação aos outros dos 24 bens que constam da lista de ofertas semanais desta rubrica (ver no quadro à direita). Também muito influenciada pela disputa entre a produção nacional e a importada, a batata rena deverá ser dos itens que a estratégia do Governo vai muito investir para gerar excedentes.

LEITE o valor nutricional do leite é ainda discutido. O preço é que com ou sem discussão deve ser encarado com reservas. As latas de 1,8 a 2,4 variam entre os 3.100 a 7.500 kwanzas. A opção entre inteiro ou instantâneo influencia no que deverá pagar no final.  O leite tem valor calórico e energético que ajudam a compensar a ausência de outros produtos obrigatórios na ingestão. Ainda assim, querer só não basta.

OVO até ao momento é dos produtos que mostra uma acentuada estabilidade, porquanto o preço há meses que não oscila, como resposta ao controlo que se verifica nos níveis de oferta. Todavia, o ovo já custou há uns seis ou oito meses kz 30.00, por unidade. Hoje, ele posicionou-sem nos kz 50. Não havendo importação deste bem essencial, os avicultores têm a tarefa de aumentar a oferta e baixar o preço.

CEBOLA o preço da unidade de 10 quilogramas, numa média de quase 500 kwanzas por cada quilograma chega mesmo a ser assustador. Mas na maioria dos supermercados há uma claradistição entre o produto nacional, mais barato e o importado, melhor acondicionado, e logo também mais caro. Como se pode observar no quadro acima, a cebola é neste momento dos produtos mais caro.