O economista Hernany Luíz disse ser uma óptima notícia a avaliação da missão do FMI sobre Angola, pois isto eleva os níveis de certeza de estabilidade macroeconómica ao longo do actual exercício.
A equipa do FMI estima que em 2018, o crescimento do produto Interno Bruto venha a acelerar para 2,2 por cento, comparativamente a 1,0 do ano anterior, como resultado de um sistema mais eficiente de afectação e de disponibilidade de divisas, isto devido ao preço mais elevado do petróleo, o aumento gradual da produção de LNG até à sua capacidade máxima e de maior confiança por parte do empresariado.
O novo relatório indica uma subida de crescimento económico na ordem dos 0,4 por cento adicionais aos 1,8 da primeira previsão, pelo que o aumento ligeiro na previsão consubstancia no preço conservador a que o OGE/2018 o estabeleceu nos 50 dólares.
Esse cenário, na visão do economista, mitiga os níveis de volatilidade deste Orçamento. “Sendo este o principal produto de exportação actualmente a ser comercializado acima dos 61 dólares no mercado Internacional”.

Privados vão ressurgir
Portanto, no aspecto estrutural, a privatização e potencial fusão de algumas empresas públicas, o que vai permitir menos “Footprint” do Estado na Economia e consequentemente o surgimento crescente do sector privado, tal como reitera o FMI.
No âmbito jurídico, a implementação da nova Lei da concorrência e o maior ênfase da Lei da probidade pública, dará aos Agentes Económicos maior oportunidade de Negócio, sem segmentação como anteriormente.
Questionado sobre a recomendação do FMI de actualizar o preço do combustível para salvaguardar o equilíbrio da balança de pagamentos, o economista entende que num período crítico como este, onde a taxa de inflação permanecerá ao longo do exercício na ordem dos 18 por cento, segundo o FMI, a taxa de juros nominal do BNA é de 18 por cento, isto é, o nível de esforço das empresas e famílias a liquidarem os empréstimos serão cada vez maiores. O que onerara a actividade da economia.
“O regime de câmbio é flutuante o que eleva ainda mais os níveis de incerteza para as famílias e empresas fazerem poupanças face à irregularidade na taxa de câmbio, assim, entendo que a subida dos combustíveis não seria uma medida acertada”,disse.

Balança de pagamento
Quanto à balança de pagamentos, o equilíbrio a que se recomenda será apenas possível, se levar-se a cabo o processo de substituição das Importações aliado à promoção da actividade económica domesticamente quer a nível da agricultura como da indústria. Pois, se estará a promover empregos e poupar as reservas em moeda estrangeira.
Por outro lado, a instituição recomenda um aumento das obrigações fiscais, isto é, dos Impostos, o que o economista também não concorda, sendo que os níveis de actividade na economia actualmente estão muito baixos tais como, o alto desemprego na ordem dos 19,9 por cento, alta inflação 23,2 que ilustram os níveis austeros em que a população está inserida.
O grupo do Fundo Monetário Internacional que efectuou a referida reunião, elogiou o facto de o Executivo estar engajado na restauração da estabilidade macroeconómica e na melhoria da governação, tendo advogado que as perspectivas favoráveis em relação ao preço do petróleo representam uma oportunidade para o reforço das políticas macroeconómicas e reformas estruturais a fim de alcançar os objectivos preconizados.

Inflação
Quanto à inflação, o corpo técnico considera que a mesma deverá permanecer elevada, projectando-se que atinja 24,7 por cento no final do ano, reflectindo, entre outros factores, os efeitos da depreciação do Kwanza. A médio prazo, as perspectivas são de uma recuperação gradual da actividade económica, apesar da existência de riscos ligados ao declínio do preço do petróleo e derrapagens na implementação das reformas estruturais necessárias para promover a diversificação económica.
“A política fiscal foi afrouxada no ano anterior e o défice fiscal global aumentou para cerca de 6,0 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. A dívida, incluindo a da Sonangol e da Taag atingiu os 64,1 do PIB. O recém-aprovado orçamento prevê uma diminuição substancial do défice, reduzindo-o para 3,5 do PIB com base num pressuposto conservador para o preço do petróleo”.
Ainda de acordo com o documento, o objectivo da redução da dívida pública para menos de 60 por cento do PIB a médio prazo “ Proporciona uma âncora fiscal adequada. Este objectivo seria coerente com uma trajectória de consolidação fiscal primária não petrolífera de em média 0,75 por cento do PIB em 2023”.