A demora na entrega de diplomas e certificados homologados ou reconhecidos pelo Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES) tem frustrado muitos jovens que, dia-a-dia, entram na busca de emprego, para melhoria das suas condições de vida.
Recentemente, o secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio da Silva, tranquilizou os cidadãos, assegurando que a instituição está a par da situação que se vive no INAAREES e que o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o INAAREES, trabalham arduamente para, em breve, trazer uma solução capaz de permitir o reconhecimento imediato dos diplomas e certificados no momento da sua atribuição.
Uma ronda feita pelo JE constatou que o processo de homologação e reconhecimento de diplomas e certificados custa seis mil kwanzas, pagos directamente à Administração Geral Tributária (AGT). Os cidadãos consideram má, a prestação de serviços por parte da instituição.
De igual modo, os jovens consideraram que a demora na entrega dos processos tem contrariado os esforços do Executivo em aproximar os serviços administrativos aos cidadãos.
Localizado na centralidade do Kilamba, há mais de dois anos, o INAAREES tem uma única representação no país, situação que, além de obrigar os cidadãos a se deslocarem das suas zonas de origem, provoca grandes enchentes.
Nelson Aguiar, Gestor de contas, disse que dezenas de cidadãos são obrigados a estar no local de madrugada, para colocar o nome na lista, cujo limite de atendimento diário vai até 200 pessoas.

Burocracia
Muitos jovens, apesar do esforço que fazem para saírem do interior do país, não conseguem dar entrada dos documentos na instituição, porque, além da burocracia, o INAAREES só abre ao público três dias por semana (segunda, terça e quarta-feira). Quinta e sexta-feira são dias reservados a trabalhos internos. “Já fui vítima desse triste episódio”.
O técnico de informática, Heraldo Teixeira, disse que está há mais de um ano a tentar resolver a sua situação.Segundo ele, para concorrer a uma vaga no Ministério da Educação levou o certificado ao INAAREES em Setembro de 2018, para ser homologado e participar no concurso, mas a promessa que recebeu, na altura, foi de que em 30 dias teria o documento pronto. Para seu espanto, passados mais de 365, nada foi feito.
“Tenho perdido várias oportunidade de participar nos concurso públicos, que me dariam a possibilidade de encontrar emprego na função pública”.
A gestora de contas, Helga Fineias, disse que tem convivido com pessoas próximas, que têm enfrentado o mesmo problema. Muitas até vivem fora de Luanda, onde o cidadão é obrigado a deslocar-se regularmente à capital do país, para saber da validação do documento.
O INAAREES tem um serviço de notificação por SMS, quando o documento está pronto, mas, para ser atendido no dia marcado, é preciso madrugar, para colocar o nome na lista, porque existe um limite de atendimento diário de 200 pessoas.
Outra vítima é Lúcia Fernandes, que tem a filha a viver na província do Zaire e passa pelo mesmo problema.
Também, em Setembro do ano passado deu entrada do diploma de licenciatura àquela instituição, para ser homologado, mas até agora continua à espera.
A fonte disse que já apresentou várias reclamações e nada foi feito, para ter o documento reconhecido.
Em seu entender, as coisas ficariam mais fáceis, se o INAAREES tivesse uma representação em todas as regiões académicas do país. “Caso isso aconteça facilitaria a vida de muitos, porque é muito transtorno”. Essa situação, segundo disse, impediu a filha de concorrer em muitos concursos públicos e conseguir o primeiro emprego.
Hugo Paixão, contabilista, explicou que antes de ingressar na função pública deparou-se com várias situações do género. Segundo ele, foram várias tentativas sem sucesso.
“Tentei, num período de um ano, lembro-me, que foram dias e meses frustrantes, porque, a todo custo, queria ingressar na função pública, até que num dia Deus resolveu a minha situação”, disse.
Kelson Baiano, gestor bancário, disse ser uma situação vergonhosa e triste, pois, para si o Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior devia descentralizar os serviços por todo o país.
E sugere que o tempo de homologar e entregar os certificados dure menos, ou seja, a instituição deve estabelecer um período para dar solução à inquietação.
“Estamos numa fase em que se luta para a mudança e, acredito, se as instituições públicas e privadas adoptassem medidas práticas, mudaria muita coisa”, aconselhou.