Os níveis de inclusão financeira na região da SADC (Comunidade de Desenvolviemento da África Austral), rondam 67 por cento, com cerca de 113 milhões de pessoas (sendo 33 por cento adultos)a continuarem fora do indicador.Durante a recente 8ª Conferência Anual do BNA (Banco Nacional de Angola), o país colheu experiências sobre inclusão financeira do Banco da Tanzânia, do Banco Central do Quénia, da África do Oeste e da Aliança de Inclusão Financeira, da qual Angola é membro.
Das experiências colhidas junto das representações estrangeiras, sobressai a do Quénia, que num espaço de dez anos teve a sua taxa de bancarização a subir de 20 para 82 por cento. O exemplo foi bem aplaudido pelos quadros do BNA, presentes no evento.A nível mundial, os níveis de inclusão financeira passaram de 51 por cento em 2011, para 69 em 2017. As metas previstas pela UFA (Universal Financial Access) procuram garantir o acesso de 1 bilião de pessoas a uma conta bancária, até 2020.
Para o caso angolano, a revisão da Lei do Sistema de Pagamentos deve viabilizar a elevação da taxa de bancarização de 50 por cento até 2020, contra os actuais 30 por cento com a inclusão financeira da população adulta, no mínimo.
A média angolana é considerada baixa em comparacão com a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde a perspectiva é ascender a um mínimo de 50 por cento até 2020.
Durante a conferência internacional promovida pelo BNA, recentemente, em Luanda, sobre o papel das tecnologias na inclusão financeira, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, disse que a revisão da referida lei vai ainda permitir a introdução de soluções digitais inseridas nos programas institucionais de inclusão financeira.Os últimos dados sobre a bancarização em Angola, divulgados pelo BNA em Novembro de 2016, apontavam para 7,8 milhões de contas abertas, ou 52 por cento do que se supunha antes do censo - ser um universo de 15 milhões de pessoas adultas.

Sistema de Pagamentos
O processo de revisão do Sistema de Pagamentos do BNA conta com o apoio do Banco Mundial e deve ficar concluído no final de 2019, quando for levado à Assembleia Nacional para discussão
e aprovação, informou.
De acordo com o governador, as soluções que o BNA está a preparar incluem a introdução de pagamentos móveis, considerados dinâmicos e de amplo alcance, e também os pagamentos digitais, o que tem de ser feito com base na revisão da lei, referiu. Para este processo o BNA conta com a participação das empresas de telecomunicações móveis que operam no país, a Unitel e a Movicel , que além de apoiarem a concepção do novo diploma, trocam ideias para encontrarem as melhores opções
para as operações no futuro.
Dados recentes confirmam que actualmente doze milhões da população angolana são usuários de telemóveis, 15 por cento faz uso da internet e apenas um por cento faz compras on line. Segundo o vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Rui Minguêns, que dissertava, numa das conferências realizadas pelo BNA, este ano, o uso das tecnologias de informação (TIC) no sistema financeiro bancário nacional vai ajudar a acelerar o processo de inclusão financeira.
“As tecnologias de informação estão a evoluir de uma forma significativa, de tal forma que novas empresas financeiras e tecnológicas estão num momento de integração das suas funções no que diz respeito aos serviços de pagamentos, onde se nota a interacção das novas tecnologias com o sector financeiro”, disse na ocasião.

Directrizes
Ainda em Maio deste ano, no quadro do estreitamento das relações institucionais com o Grupo Banco Mundial (GBM), visando a captação de importantes financiamentos para apoiar a agenda governativa do Executivo, o Conselho de Directores Executivos daquela instituição visitou o nosso país , tendo sido discutido também aspectos ligados ao programa de Inclusão Financeira do BNA.
O encontro contou com a presença de responsáveis seniores do BNA, de representantes da direcção da Abanc, Kixicrédito, MasterCard e do website sobre finanças pessoais “Kamba Rico”.
Ainclusão financeira é o processo que proporciona aos consumidores e investidores uma maior compreensão dos produtos financeiros e a adopção de comportamentos financeiros adequados”–OCDE,2005. Ela significa que entidades colectivas e todos os cidadãos têm acesso e utilizam, efectivamente, produtos e serviços financeiros.