actividade manufactureira africana representa, até ao momento, um valor acrescentado de 11 por cento, indicador que pode ser tido em conta na definição das estratégias de crescimento e industrialização do continente, pois é de longe comparado com a contribuição deste sector na economia chinesa de há 27 anos.
Durante uma conferência organizada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), subordinada ao tema “As transformações económicas estruturais que África enfrenta no século XXI”, revelou-se o contributo do sector financeiro para a propesperidade. O palestrante foi o economista Carlos Lopes, que realçou que a percentagem avançada, em termos de exportações de produtos manufacturados em África, representa cerca de meio trilião de dólares.
Carlos Lopes, antigo secretário da Comissão Económica para África e sub-secretário das Nações Unidas, considera-se optimista quanto ao crescimento do continente, e defende que os africanos têm condições favoráveis para prosperar, bastando apenas equilibrar o nível de ambição com as necessidades do continente.
Para ele, esse processo passa por três tipos de industrialização por fomentar o valor acrescentado nas matérias-primas disponíveis e investir no agro-negócio.
“O continente africano pode sair da dependência das matérias-primas, se apostar fortemente na instalação da indústria para transformar os bens produzidos ou extraídos do seu solo e vendê-los como acabados ou semi-acabados ao mercado”, disse.
Um exemplo bem prático, citado por carlos Lopes, é o caso do Ghana e da Costa do Marfim. Estes dois países africanos produzem 60 por cento do cacau mundial e em termos de valor acrescentado representa apenas 12 mil milhões de dólares. Porém, a produção do chocolate representa 80 mil milhões de dólares à economia mundial.
“Portanto, aqui é que vem a tal adequação da ambição. Não precisamos por exemplo produzir chocolate, mas podemos produzir pasta de cacau até porque reduz as perdas, é armazenável e, consequentemente, aumenta em mais 15 por cento em termos de valor acrescentado”, disse.

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Mil Milhões
É o valor acrescentado em dólares que representa a produção de cacau às economias do Ghana e da Cotê D’Ivoire, responsáveis por 60 por cento da oferta mundial, num contraste com os 80 mil milhões da produção mundial de chocolate.

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Por Cento
É em quanto se pode aumentar o valor acrescentado das matérias-primas africanas à economia que, actualmente, está cifrado em 11 por cento, numa acção que permitiria a captação de mais recursos financeiros para os Estados.