O Instituto Nacional de Estatística (INE) receberá do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) 2,3 milhões de euros para a aplicação na melhoria das pesquisas relativas à informação estatística no país. O anúncio foi feito durante a 2ª reunião do Comité de Pilotagem de Apoio ao Desenvolvimento dos Sistemas Estatísticos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), em Luanda.

De acordo com o representante da Delegação da Comissão Europeia, Paulo Leitão, o FED tem um orçamento avaliado em 214 milhões de euros, com uma abrangência que vai de 2008 a 2013, destinados para aplicação em vários programas sociais e de infra-estrutura em Angola através de financiamento ao Programa Indicativo Nacional (PIN), cuja duração coincide com a periodicidade da implementação dos recurso do FED. “O sector da Justiça tem um fundo que anda entre 15 a 20 milhões. O Fundo de Acção Social (FAS) tem aproximadamente 50 milhões”, precisou.

Segundo o representante, a informação estatística de base só terá grande implicação económica no país quando o censo populacional for realizado. “O censo é que nos permite saber quantos somos, onde vivemos, o que fizemos, quais são as condições sociais de fornecimento de água, luz e saneamento básico”, disse.

Como Angola não tem censo desde 1970, a informação de base não tem precisão suficiente para fornecer ao empresariado dados sólidos sobre a população e o mercado consumidor do país, entre outros factores. “Estamos a trabalhar com amostras, com aproximações, estimativas que podem estar um pouco desviadas”, minimizou.

Expansão

A directora do Instituto Nacional de Estatística, Maria Ferreira dos Santos Oliveira, disse que vai aplicar os 2,3 milhões de euros financiados pela Fundo Europeu de Desenvolvimento na melhoria da produção estatística em termos de qualidade, oportunidade e periodicidade na difusão da informação.

Maria Ferreira, entrevistada na mesma reunião onde foi anunciado o financiamento, salientou o facto de que as verbas serão destinadas ao apoio dos serviços provinciais de estatísticas. “O dinheiro vai servir para estender a actividade estatística a todas as províncias de Angola”, disse.

Segundo a gestora, esse financiamento vai ter um grande impacto na actividade dos empresários e dos que se dedicam à actividade comercial. “Tratam-se de matérias relacionadas com estatísticas das empresas. De uma maneira geral, o dinheiro vai ajudar na organização da estrutura da actividade económica do país. Este projecto passa pela melhoria das contas nacionais e dos indicadores de curto prazo de que as empresas irão certamente beneficiar-se”, precisou.

Censo populacional

Segundo a directora do Instituto Nacional de Estatística, o processo de recenseamento está a entrar numa fase crucial da sua preparação.

“Temos que perceber a actualização da cartografia censitária de todas as províncias do país, através da mobilidade da população”, disse. Segundo ela, essa é uma actividade permanente que vai até à data da realização do recenseamento.

Maria Ferreira disse que o desafio consiste na implementação da estrutura censitária. “Identificar as pessoas que vão fazer parte dos gabinetes e as instalações. Se tivermos que albergar cerca de 40 mil pessoas em todo país, é necessário ter as condições devidamente criadas para que elas possam trabalhar com eficiência”, exemplificou.

De acordo com Maria Ferreira, o tempo previsto para a realização do censo populacional está a ser estudado. “O recenseamento pode ser de dois ou três anos, que é o tempo de preparação”, precisou.