O sucesso dos programas de diversificação económica e implementação das reformas tributárias iniciadas pelo Executivo sustentam as previsões.

Os indicadores mais recentes sobre o desempenho da economia angolana, divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), atestam que a inflação no país poderá atingir os sete por cento até ao ano de 2013.

O economista sénior da missão do Banco Mundial (BM) para Angola e Moçambique, Ricardo Gazel, destacou este facto numa apresentação que efectuou na semana passada, em Luanda, sobre as perspectivas para a economia angolana.

De acordo com o economista, o bom desempenho do sector petrolífero e o sucesso na aplicação dos programas de diversificação económica apresentam-se como as principais bases desta concretização. Para ele, a diversificação da economia permitiu o aumento substancial do peso do sector não mineral na economia real, tornando-a responsável pela reposição da capacidade produtiva interna, uma vez que o mesmo definiu o relançamento da agro-indústria e a recuperação das unidades fabris paralisadas durante largos períodos como prioridade.

“Outra nota positiva no bom desempenho da economia recai para a implementação dos diferentes programas de reforma económica, aplicados pelo Executivo angolano”, disse.

No recente balanço sobre o desempenho do Executivo no quarto trimestre do ano passado, o combate à inflação foi apresentado como uma das grandes prioridades da política macroeconómica, tendo sido avançada a estimativa de se atingir a meta de 12 por cento já no presente ano.

Ricardo Gazel explica que a avaliação internacional baseou-se na subida do ambiente de negócios no país e na estabilidade do preço do petróleo, mecanismos que facilitam o aumento das exportações e, consequentemente, dos fluxos monetários.

Crescimento económico

Enquanto conhecedor da actualidade económica africana e mundial, Ricardo Gazel não deixou de admitir que existem para Angola, ainda assim, enormes desafios pela frente, dos quais depende a normalização do funcionamento de sectores-chaves do desenvolvimento sustentável. Apontou, como factores decisivos, a necessidade de melhoria da prestação dos serviços pela administração pública, acesso à água e energia eléctrica, a criação de novos postos de trabalho, além da garantia do acesso à educação para todos.

“Angola consta ainda da lista de países onde se verifica um excesso de burocracia na concretização das intenções de negócios dos diferentes investidores, pelo que é urgente que se ultrapassem estes obstáculos”, referiu.

O economista disse ainda que os actuais 2,3 por cento de crescimento da economia real serão superados, conforme as previsões, e, no próximo ano, prevê-se atingir a cifra dos 9,7 por cento. Desta forma, a economia angolana mantém a liderança do ritmo de crescimento entre as economias mundiais, além de reforçar a sua posição na região sub-sahariana e, grosso modo, em todo o continente.

Em Abril do ano passado, o FMI previu para a economia angolana um crescimento de 7,1 por cento para 2010, e de 8,3 por cento para 2011, tendo deixado em aberto as previsões para os dois anos subsequentes. Ricardo Gazel considera a margem dos 9,7 por cento como uma meta real, face ao desempenho da economia e à vontade das autoridades em garantir à economia nacional níveis de eficácia e de eficiência cada vez maiores.

Aliás, na visão do economista, uma das principais causas responsáveis pela retracção dos mercados, no período pós-crise, foi a falta de liquidez e a baixa procura no mercado das commodities (matérias-primas). E, como o petróleo continua a ser o principal produto de exportação angolana, a capacidade de angariar recursos financeiros a partir do mercado externo ficou afectada e comprometeu-se a continuidade de vários outros programas.

Reservas

Conforme disse também, o bom desempenho do sector mineral da economia nacional, com primazia para o petrolífero, foi responsável pelo aumento das Reservas Líquidas Internacionais (RLI).

Até ao ano passado, as reservas do país estavam estimadas em cerca de 15 mil milhões de dólares, mas a nova avaliação do FMI avança já para uma subida considerável, atingindo os 25 mil milhões de dólares.

Numa altura em que as perspectivas são ainda de muitas incertezas, o reforço da capacidade de acumulação de reservas estrangeiras como mecanismo de protecção do país, contra a volatilidade dos preços do petróleo e de pagamento dos atrasados às empresas nacionais, assume-se como medida de grande relevância.

“Isto também justifica as constantes alterações verificadas na equipa económica do Governo, nos últimos anos”, sustenta.

O Fundo Monetário Internacional possui, neste momento, um acordo de avaliação do desempenho da economia angolana, designado por Stand By Angola (SBA), com a vigência de 27 meses, através do qual a instituição internacional está a disponibilizar, faseadamente, um valor global de 1,4 mil milhões de dólares, para que o Governo proceda à liquidação dos atrasados internos e a reposição das infra-estruturas essenciais ao relançamento do crescimento económico do país.

Deste compromisso financeiro, foram já disponibilizados, até ao momento, um total de 882,9 milhões de dólares, além do facto de equipas do FMI se deslocarem periodicamente a Luanda para avaliarem o grau de aplicação do referido acordo.

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