O Banco Internacional de Crédito (BIC) encerrou o exercício económico de 2012 com um lucro líquido de 16 mil milhões de kwanzas, correspondente a um acréscimo de 1,1 milhões de kwanzas, ou seja, um aumento de 8 por cento, face ao ano anterior de 2011.

Este resultado foi positivamente influenciado pelo aumento de cerca de 5,7 mil milhões de kwanzas da margem financeira (32 por cento), que ascendeu para 23,6 mil milhões de kwanzas em 2012.

O aumento da margem financeira deveu-se, sobretudo, à redução de 5,1 mil milhões de kwanzas em juros de instrumentos passivos, que passaram para 13,9 mil milhões de kwanzas no exercício de 2012.

O cenário generalizado de descida de taxas de juro no mercado, teve um aumento de cerca de 574,8 milhões da margem financeira activa que ascendeu para 37,3 mil milhões de kwanzas em 2012.

Embora se tenha verificado um aumento de cerca de 24 por cento na carteira de recursos de clientes, a redução acentuada dos custos de captação permitiu o decréscimo dos juros de instrumentos passivos.

No que respeita à margem financeira activa, embora o aumento tenha sido residual, é de destacar o acréscimo do peso relativo dos juros de crédito, 64 por cento em 2012 contra os 56 em 2011 e, por outro lado, a redução do peso dos juros de título e valores mobiliários para 30 por cento em 2012 face aos 39 verificados no exercício anterior.

Apoio à economia
Em 2012, tal como nos anos anteriores, o banco manteve a tendência de apoio ao investimento na economia angolana, seleccionando projectos adequados ao seu perfil de risco de crédito, nos vários sectores de actividade económica.

Assim, a carteira de crédito concedido a clientes (incluindo o crédito por assinatura) apresentou um saldo de 287,4 milhões de kwanzas em 2012, equivalente a um aumento de 23 por cento, face aos 229,9 milhões apurados em 2011. O crédito concedido a nível do balanço, antes da constituição de provisões, aumentou cerca de 46 mil milhões de kwanzas, uma variação correspondente a 23 por cento relativamente ao ano anterior.

O crédito concedido a clientes no ano de 2012 representa cerca de 34 por cento do total do activo (35 em 2011 e 40 em 2010) e 84 por cento do total do agregado do crédito (84 em 2011), incluindo o crédito por assinatura.

Desde 2011, esta atitude mantém a tendência de inversão da composição do crédito a clientes por tipo de moeda. A entrada em vigor, neste período, de novos limites de exposição cambial sobre os fundos próprios regulamentares mais restritivos (100 por cento em 2010 contra os actuais 20 por cento), bem como a introdução de limites qualitativos à concessão de crédito em moeda estrangeira contribuíram para um significativo aumento do crédito em moeda nacional.

Mais crédito
O crédito em moeda nacional cresceu 102 por cento, tendo passado de 61,2 mil milhões de kwanzas em 2011 para 114,9 milhões em 2012, enquanto o crédito concedido em moeda estrangeira decresceu de 134,1 milhões de kwanzas em 2011 para 114,9 milhões de kwanzas em 2012.

O crédito em moeda nacional representou 50 por cento da carteira de crédito concedidpor cento que representava em 2011.
No período em análise, também se registou um aumento de 22 por cento do crédito por assinatura, tendo passado de 37.6 mil milhões de kwanzas em 2011 para 54.9 mil milhões de kwanzas em 2012. Para o crescimento desta rubrica, que se tem vindo a acentuar cada vez mais nos últimos três anos, contribuiu de forma muito significativa o aumento do relacionamento com o banco BIC português no apoio aos clientes comuns que operam em ambos os mercados.

É de salientar, em termos de volume, os crescimentos verificados a nível dos financiamentos (57 mil milhões de kwanzas ou 53 por cento), a nível do crédito ao consumo (8,3 mil milhões de kwanzas ou 99 por cento), a nível das garantias e avales prestados (6,9 mil milhões de kwanzas ou 25 por cento) e, embora mais modesto, em termos de volume do crédito à habitação (2,9 mil milhões de kwanzas ou 18 por cento).

A distribuição da carteira de crédito por tipo de produtos revela uma grande diversidade de actividades apoiadas pelo banco BIC.

Outros sectores
Os produtos mais procurados pelos clientes do banco correspondem aos financiamentos, com um peso de 54,4 por cento, o crédito para apoio de tesouraria com 15,1, garantias e aval prestados com 12,2 por cento, crédito para habitação com 6,8 por cento e crédito ao consumo com um peso de 5,7.

No ano de 2012, o sector da construção com 21,2 por cento foi aquele que, em termos de créditos concedidos, mereceu o maior apoio. O sector do comércio com 16,3 por cento e o de actividades financeiras e de seguros com 13,9 também beneficiaram de maiores apoios em termos de créditos concedidos. Destacam-se, também, os créditos concedidos a clientes particulares, que absorveram 18,1 por cento.