De acordo com o relatóruio anual do banco, esta é a segunda vez que as contas de balanço do BFA são consolidadas em Luanda, por conta do domínio pelos angolanos da Unitel, desde 2016, da maior parte das acções do banco (51,9%), apesar de a operação apenas ter sido formalizada em Janeiro do ano passado.
Desde 2012, é a sétima vez que o banco apresenta balanço positivo consecutivamente e os maiores de toda a banca comercial, indicadores que colocam a entidade controlada pela Unitel na primeira posição do ranking dos cinco maiores bancos angolanos medidos pelos lucros.
Os dados do banco dão ainda conta que a carteira de crédito do Banco de Fomento Angola (BFA) caiu, de Janeiro a Dezembro do ano passado, 17,2% comparativamente ao exercício de 2016, o que não impediu a entidade de fechar o balanço positivo com lucros de 416,4
milhões de dólares.
O banco não justifica a razão da contracção no crédito em 2017, mas os indicadores de 6,3% de crédito vencido do total de empréstimos concedidos e 144,3 para a cobertura de crédito vencido por provisões explicam a ‘cautela’ da entidade para o
risco do malparado.
Apesar disto, a instituição conseguiu, no período, um rácio de transformação de depósitos em crédito de 20,2%, além de ter visto o número de clientes aumentar 11, ou seja, mais 167 mil, totalizando, assim, 1.742.703, até 31 de Dezembro do ano passado.

Produto bancário
A contribuírem para o resultado líquido positivo de 416,4 milhões de dólares está o crescimento da margem financeira em 59,6%, e o aumento das comissões líquidas em cerca de 40.
Para o avanço nos lucros, contribuíram ainda o produto bancário, o rácio ‘cost-to-income’ (custo face aos proveitos) e os recursos de clientes, que evoluíram 34,6%, 24,4 e 3,5, respectivamente, apesar de ter havido aumento nos custos operacionais
de 7,9 por cento.
A acompanhar o ritmo dos clientes – que fecharam 2017 nos 1,7 milhões – estão os cartões electrónicos ‘Multicaixa’, com um aumento de 20%, para 1.342.194 cartões, até finais do ano passado. De acordo com o banco, o valor corresponde a uma quota de mercado de 23% de todo
o sistema bancário.
Também houve avanço no ‘Return On Equity’ – ROE –, o rácio que mede o retorno do dinheiro investido pelos accionistas no banco, que se situou, até 31 de Dezembro, nos 35,4%, além dos 43,4 no rácio de solvabilidade
regulamentar.

Moody’s baixa notação de risco soberano

A agência de notação de risco soberano Moody´s reviu ontem em baixa a classificação de Angola. Não obstante isso, a entidade internacional manifesta confiança nos esforços do Executivo angolano para a consolidação fiscal
Em comunicado de imprensa, o Ministério das Finanças informou hoje o mercado financeiro e o público em geral que a agência de classificação de risco Moody´s, no âmbito do habitual processo de avaliação da notação do risco soberano, colocou a notação do risco soberano do Governo de Angola em regime de vigilância tendente à redução da actual notação B2, com perspectivas de manutenção da notação do risco de curto prazo em NP-Not Prime.
O Ministério das Finanças esclarece que a decisão da agência de notação de risco Moody´s é resultado da deterioração da posição fiscal, incluindo o agravamento das necessidades brutas de financiamento face às expectativas de Outubro que conduziram a notação do risco soberano para B2 em Outubro de 2017, bem como da rápida depreciação cambial devido à introdução do novo regime cambial.
O Ministério das Finanças comunica igualmente que a agência de notação de risco Moody´s acredita no anunciado esforço do plano de consolidação fiscal do Governo de Angola e nos benefícios do novo regime cambial.
O Ministério das Finanças reitera o seu compromisso com os credores no cumprimento do serviço da dívida interna e externa, objectivo que se reflecte na proposta do Orçamento Geral do Estado 2018 e é suportado pelos actuas níveis de tesouraria do Estado.