O incumprimento no pagamento de créditos em Angola aumentou nos últimos três anos face ao quadro macro-económico que se regista, segundo fez saber, recentemente, em Luanda, o presidente do Conselho de Administração da Recredit – Gestão de Activos, SA.
Falando num debate que juntou o Conselho de Administração da Recredit e a imprensa, Vicente Leitão, lembrou que a instituição que dirige não é um “banco mau”, ou seja, não compra activos para vender, mas sim para recuperá-los em termos do interesse da economia nacional e não apenas do interesse financeiro. “Não somos um banco mau. Não compramos para vender. Comprámos para transformar”, recordou.
Vicente Leitão fez saber que neste momento a Recredit está em processo de negociação de crédito malparado de cinco bancos comerciais, nomeadamente com os bancos de Poupança e Crédito, de Comércio e Indústria, Angolano de Investimentos, Keve e de Negócios Internacional.

Mecanismo de cobrança

Na ocasião, Filipe Duarte, administrador executivo, questionado sobre os mecanismos à adoptar no processo de cobrança aos mutuários, fez saber que o processo de negociação possui duas componentes, sendo a primeira a de verificar a segurança jurídica e a segunda a de análise de risco e de crédito.
De acordo com o responsável, na análise de crédito existe uma outra componente que avalia o potencial de desenvolvimento deste negócio.
“Quando há transmissão do crédito da entidade do sector financeiro bancário para a esfera da Recredit, nós temos que assumir o ónus e o encargo de antes fazer a aquisição do crédito, fazer um acordo com o mutuário que devia à instituição financeira bancária e passa a dever à Recredit”, disse.
O gestor disse que como é evidente, “nós não podemos pelas razões institucionais que são do conhecimento de todos, ir para a via do litígio. Não podemos partir para a execução porque não vamos ficar com activos por 8 anos sem ter capacidade de que eles entrem de modo a disponibilizar livremente dos mesmos na nossa esfera. Isso significa que temos que encontrar o caminho da negociação”, lembrou.