O  volume de crédito malparado na banca angolana registou um aumento de 2 por cento, tendo chegado actualmente aos 30 por cento, contra os 28 registados em Dezembro de 2018. A percentagem é considerada”bastante alta”, principalmente em comparação com os países vizinhos que também atravessaram crises económicas nos últimos anos.
A informação foi prestada pelo vice-governador do BNA, Tiago Dias, que falava à margem de um encontro com as embaixadas acreditadas no país sobre “ O desenvolvimento económico do sistema financeiro angolano”.
Porém, nos últimos meses, tem-se intensificado a estratégia dos bancos comerciais para reduzir o malparado e o BNA tem criado condições para estimular as instituições financeiras a concederem mais crédito ao sector privado nacional.
“No âmbito da divulgação das medidas que foram tomadas no sentido de apoiar o sector produtivo nacional, o BNA tem feito referência à necessidade do aumento do crédito ao sector privado nacional e constitui uma das prioridades do BNA para 2019”, informou.

Bancos serão avaliados
Na ocasião, o vice-governador informou que no mês de Abril o BNA efectuará uma avaliação da qualidade dos activos dos 12 maiores bancos comerciais do sistema financeiro angolano.
Segundo ele, à semelhança dos outros bancos centrais, o BNA recebe várias informações por parte dos bancos comerciais e é normal que, periodicamente, realize exercícios que permitam aferir sobre a informação que é prestada pelos bancos, para maior controlo
do sistema financeiro.
“O que está em causa é a estabilidade do sistema financeiro angolano. Portanto, com esta avaliação nós pretendemos confirmar a qualidade das informações que nos são prestadas pelos referidos bancos”, disse.

Perspectivas para 2019
Para o ano de 2019, o vice-governador afirmou que, com base nos esforços exercidos e nos dados estatísticos do Instituto Nacional de Estatística (INE), perspectiva-se a retoma do crescimento da actividade económica, depois de três anos consecutivos de queda da actividade produtiva nacional.
Quanto às reservas líquidas internacionais, Tiago Dias fez saber que não obstante os esforços de regularização das operações pendentes entre 2014 e 2017, em 2018 ainda se registou uma queda, embora em magnitude muito inferior a que foi registada em anos anteriores.
“Tendo em conta aquilo que foi o nível de reservas internacionais em Dezembro de 2018 (cerca de 10.6 mil milhões de dólares), o que se perspectiva para 2019 é uma relativa
estabilidade”, notou.

Bancarização
Por sua vez, o director do departamento de estudos económicos do BNA, Tonecas Local, explicou que o sistema bancário tem, neste momento, um activo avaliado em 13 trilhões de kwanzas, com um crescimento médio de 14,9 por cento, desde 2013.
“Isso significa que a actividade bancária tem registado um certo crescimento apesar do momento crítico que atravessamos”, disse.
Segundo os dados disponibilizados na sua apresentação, em termos comparativos, em 2013, o activo mais expressivo era o crédito. No entanto, tendo em conta a situação económica do país podemos verificar que, até 2018, os créditos foram suplantados pelos títulos de dívida pública. Quanto ao passivo (clientes), os depósitos também registaram um crescimento.
“É patente que ouve uma inversão do comportamento dos bancos em função dos riscos que se consegue perceber no mercado, pois há uma redução do apetite ao risco e uma preferência para aqueles instrumentos”, esclareceu.